terça-feira, 5 de maio de 2015

Crônica de um roteiro inacabado.

Paul Signac

Diziam as boas línguas que se queriam bem.
Era mútuo o entendimento daquele silêncio.
Daquele silêncio cru e nu.
Era mútuo, também, a incoerência dos pensamentos perturbadores;
da morte prematura do juízo;
da vida longínqua envernizada com sorrisos.
Era mútuo, eles diziam sem dizer;
eles diziam ao espelho;
ao diário guardado das gavetas do medo.
Era mútuo, porque tudo que sabiam um do outro
também sentiam.
Era mútuo, porque o amor até quando recíproco pode doer;
Depende das boas línguas.

Tadeu Rodrigues
maio/15

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