sexta-feira, 17 de abril de 2015

Uma carta - Entrelaçadas

Dentre as inúmeras pessoas que me auxiliaram a entender o fascinante universo do tema suicídio, a Anna foi uma especial. Após algumas conversas, e a sua permissão para que eu pudesse ler sua monografia, consegui incrementar o final dos diálogos e dos últimos retoques aos personagens. 

Pedi a ela que analisasse o livro sob o prisma psicológico. E assim, foi com muita satisfação que recebi, hoje pela manhã, esta "carta", onde ela contou um pouco de sua experiência ao ler o livro Entrelaçadas.

Compartilho com vocês.

Obrigado, Anna.





Querido Tadeu Rodrigues,

Antes de começar esta pequena carta como irei chamar, gostaria de pedir desculpas por demorar um pouquinho para lhe escrever minha visão sobre seu livro. Primeiro nunca me pediram uma revisão de um livro da forma que me propôs, e claro, foi uma tarefa encantadora, desta forma tomei mais tempo para lê-lo. Como diz Nietzsche em um de seus livros “ler com dedos e olhos delicados”, e foi exatamente isso que tentei fazer um pouco mais.

“Entrelaçadas” é um livro primoroso e delicado. Sua escrita é fluída, contemporânea e de fácil entendimento. As personagens, cativantes, cada uma com seu detalhe peculiar, único e claro, a gente pode nos ver nelas em vários trechos, seja uma fala, um pensamento, ou em suas próprias personalidades. A forma com que tratou do suicídio também foi leve e respeitosa, deixando um tema que, na minha pobre visão, é um tabu na modernidade. Que causa espanto, medo, preconceito, há tantas coisas envolvidas com o tema que me é difícil relatar todas e não irei fazer isso, mas como diz o Stephen King “a morte é um segredo, o sepultamento um mistério”. O livro tem uma pitada de tudo, mistério, amizade, amor, artes e música. Muita boa música na verdade. Sobre os livros que a Helena gosta não irei debater é praticamente perfeito (quero uma amiga dessas por favor).

Também pude te encontrar em sua escrita, seja no gosto pela música, pinturas, livros nas personagens. O que eu adorei ver. Assim posso saber mais um pouquinho sobre você. Penso que talvez seu livro inspire outros a procurar sobre o tema, a falar sobre ele, a conhecer os motivos das pessoas que tentam ou tentaram o suicídio, como também, ao meu humilde ver, esperança para aqueles que tentaram ou pensam em tentar em algum momento que há de alguma forma tratamento, que você não está só. Isso é importante.

Também agradeço a oportunidade que o tema me proporcionou em conhecer você. Claro que o Celso Pattelli ajudou nisso também, talvez uma hora eu também o agradeça por isso. Por favor não pare de escrever!

Enfim, espero que goste desta carta, que ela seja pelo menos um pouquinho do que esperava...
Com carinho,

Anna

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