segunda-feira, 27 de abril de 2015

Jardinagem

Abdalieva Akzhan


Cheio de orgulho, caminho.
A estrada é sinuosa, há quem diga que a sua sinuosidade é pelo badalar do sino que a gente ouve quando parte.
Há quem diga também que a estrada tem fim.
O mundo das faces e das facetas, das lamúrias e das trombetas esportivas, pede, nunca declama;
sempre reclama,
e me perturba ouvir.
As vozes e os passos da terra caem em forma de chuva e se materializam em forma de saudade coberta por cheiro de roça.
O cheiro do campo da vida, que plantamos angústias, insônias e pecados.
Semeando um porém, acima de um talvez, estamos certos que à terra chegaremos sãos e calvos; sãos e pardos; sãos e alvos. Pelas cores, venci as batalhas da cidade cinza e do travesseiro cheio de sonho.
Até porque a pluma da ansiedade está encoberta pelo bocejo dos minutos que faltam.
E se nos faltam
Nos faltamos;
E lá permanecemos intactos, abaixo da terra, plantados no jardim dos dias.

Tadeu Rodrigues
abr/15

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