terça-feira, 17 de março de 2015

Crônica de um final infeliz

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Van Gogh

Estávamos suando no jardim de inverno.
Ela rendia-se aos olhares frios da pequena mesa de ferro.
Segurei suas mãos assustadas e, na certeza de que peles conduzem sentimentos, suspirei.
Lentamente seus dedos escorregaram entre os meus.
Levantei-me e fui à porta de saída. Ela nem se mexeu. Olhei para trás esperançoso. Queria que viesse correndo, que saltasse em meus braços... que voássemos.
Nenhum sinal de vida. Nenhum sinal sonoro.
Pude ouvir meus passos firmes, sentindo uma correnteza estranha nos rios das minhas veias saltadas. Poderia ser ela contra a corrente, já que era a minha maré alta.
Cinco, dez, vinte, duzentos infinitos passos de distância. Estava em casa olhando a TV desligada. Ao lado, sua foto me mostrava o que deveria ser o amor. Ali ela me olhava; e olhava bem no fundo dos meus olhos.
Apeei da cadeira como se o mundo dependesse disso.
O telefone tocou. Não atendi. Poderia ser ela com sua voz arrependida.
Grelhei um peixe e me deixei cair em prantos.
O telefone tocou novamente. Estava insistente.
Atendi. Era engano.

Tadeu Rodrigues
Mar/15



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