segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Berenice e suas raras visitas - Crônica da vida real

Modigliani

- Cadê a Berenice?
- Não sei. Faz tempo que não a vejo.
- Já olhou na sacada?
- Já.
- Já bateu em seu quarto?
- Não tem ninguém lá. A porta está aberta.
- Olhou embaixo da cama?
- Sim - respondeu com as mãos nas costas.
 

O diálogo se seguiu por uma hora, até que ela chegou.
 

- Berenice, estávamos te procurando...
- Eu sei, vô.
- Você não pode sumir assim.
- Desculpa, vó.
- Que isso não se repita.
- Tudo bem. Vou tomar mais cuidado. Agora preciso mesmo ir.
 

(...)
 

- Cadê Berenice?
- Não sei. Faz tempo que não a vejo.

Tadeu Francisco
Set/14

4 comentários:

  1. Lindo diálogo.
    Sempre nos esquecemos de visitar nossos avós e achamos isso chato.

    Flávio

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  2. Seu texto me deu saudade de casa. Lembro muito da minha avó reclamando que eu não ia nunca ver ela.

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  3. Gosto das suas crônicas.

    Berenice estava em outros espaços, com outras pessoas.
    Vivendo.
    Difícil é estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo, com todas as pessoas.
    A presença de alguém acaba sendo uma ilusão.

    <3

    Jess

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  4. Valeu, pessoal.
    Acho que a idade acentua nossas ausências.

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