quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A Crônica Eleitoreira - Nobre filho da puta



Interrompemos nossa programação normal. Pode ser só uma visita.

 
Nobre filho da puta, a que devo a honra de sua visita?
Já não temos mais comida, mas a água mineral é farta.
Limpe os pés antes de entrar na sala, pois os donos não gostam que sujem o tapete.
O sofá é de madeira, porém aconchegante. 

(...)
 
Fale mais sobre a mesma coisa de ontem, talvez possamos manter tudo como está, de um modo diferente.
Só não desonre minha saúde e minha educação, são as coisas que me restam.
Vamos, nobre filho da puta. O que exatamente você deseja? Não tenho tanto tempo assim.
É ouvido que você quer? Pra ser sincero não te ouço tanto, falta-me tato.
Precisa de alguém com mais sentido?
 
(...)
 
Pelo menos fique em silêncio enquanto lhe falo sobre a intimidade da minha família.
O Aparecido morreu, mas não sem antes engravidar a Vera.
Os três filhos de Maria foram batizado só agora. Que Deus tenha compaixão.
 
(...)
 
Pode ir agora, nobre filho da puta.
Amanhã lhe espero, quero aproveitar sua presença que insiste em me dizer que é gratuita.

Tadeu Rodrigues
set/14

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