segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Marcos Cheres

Este ano a Ong Expressão Livre de Monte Sião/MG promoveu o 13º Festival de música.

Quem acompanha a ONG sabe do esforço que foi e é manter um festival com qualidade por tanto tempo.

Já adianto os parabéns à equipe e desejo todo sucesso do mundo. Eles merecem!

Quem quiser conhecer mais o trabalho da ong é só clicar aqui.

Há um troféu chamado Marcos Cheres em homenagem a um grande amigo nosso, que foi fundamental em energia para que o festival acontecesse.

Os mais novos não se lembram dele. O presidente da ONG e grande amigo, Reginaldo, me procurou e pediu para que eu escrevesse uma carta apresentando Marcos à cidade e aos músicos que lá estavam.



Escrevi o seguinte:

Talvez apenas os mais antigos da Ong Expressão Livre se lembrarão do Marcos. E acredito que seja nossa missão, enquanto memórias vivas, não deixarmos que seus ensinamentos e luta pela vida sejam apagados das lembranças do povo de Monte Sião.

É sempre difícil falar do Marcos, pois uns dizem não ser justo honrarmos alguém que tirou a própria vida. Mas sabemos que não era a vida que ele queria tirar, mas sim suas dores.

A arte anda de mãos dadas com as dores. Os compositores aqui presente sabem bem disso. 

Compomos o amor não querido, as despedidas, as solidões. O artista quando não tem lágrima, inventa. Quando não chora por si, chora pelos outros. Toma como seu os cortes da vida e lamenta em melodia as cicatrizes.

As dores do artista Marcos, são um pouco as nossas.

Assim que ele morreu, tocamos neste palco a música Lanterna dos Afogados. E na hora do seu solo, a música acabou. Tenho certeza que as notas de sua guitarra ainda ecoam em nossa cabeça.

Ele foi nossa lanterna. E ele gostava de viver.

Marcos lutou como poucos para se livrar do vício das drogas. E ele envolveu todo mundo nesta batalha em remotos tempos de Pastoral da Juventude. Antes dele, erámos apenas teoria, e ele veio com a prática. A prática do que é ver um amigo cair. A prática do que é ver um amigo se levantar, dar a volta por cima e bradar ao mundo seus testemunhos. Não vejo Marcos como uma pessoa derrotada, mas o vejo como um lutador, e lutou enquanto pôde. E mais que isso, nos ensinou a sermos vencedores.

É com alegria que devemos lembrar dele. E tenho certeza que, onde quer que ele esteja, está feliz por estar imortalizado em um troféu de um festival de música que ele tanto gostava.

Tantos anos se passaram. Tanta coisa aconteceu.

É... descanse em paz, Marcos, mas nunca deixe de dançar conosco o som que te movia.

Tadeu Rodrigues


Um comentário:

  1. Demais a descrição. .. parece que ouço o barulho de seu fusca e de seus solos de guitarra!

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