sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Crônica do Eliseu, o normal

Modigliani

Eliseu era mais um na multidão. Como ninguém, sabia ser normal.

Era uma pessoa normal quando acordava, quando ia dormir e quando conversava com os outros.

Era normal quando falava sobre política, sobre música e literatura.

Normal.

Normal quando sorria em seus aniversários - mais de 80 - e quando agradecia aos agrados.

Era normal quando elogiava a comida do seu restaurante preferido e quando deixava cair o talher no chão.

Normal quando perdia a paciência no trânsito e quando se emocionava vendo um filme de amor.

Normal.

Tinha as respostas normais para as perguntas normais.

Era bom ser normal no mundo do Eliseu. 

Eliseu não chateava ninguém e contava piadas normais.

Mas um dia Eliseu morreu.

Foi um velório normal, com lágrimas reais - e normais.

"Aqui jaz Eliseu, 
tão normal quanto eu."


Tadeu Rodrigues 
Ago/14

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Apesar disso, existem várias formas de ser um Eliseu.
    Pois até a normalidade é infinita.

    Gostei. :)

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  3. Gente normal me cansa, e por mais que eu queira fugir, elas estão por todos os lados, acho até que me contaminei. Triste constatação, ao menos o meu velório será normal, ou não.

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