quarta-feira, 2 de julho de 2014

Com carinho - uma carta à poesia

Minas Gerais, 02 de julho de 2014.


Querida poesia,

Sei que aquele não nos foi um bom dia. O tempo estava frio e a chuva obedecia alguma ordem destrutiva. Justo conosco, que tanto gostamos dela.

Deve estar me lendo de algum lugar quente, pois foi para onde disse que iria antes de berrar e sair. Tudo bem, é melhor assim.

É bom que saiba que não gosto quando você me machuca, e não gostei do último estrago que fez; me fazer chorar daquela forma foi algo covarde.

Eu te perdoo. Entendi seu pedido de desculpas no escrito que deixou ao lado da cama.

Agora me responda: nós nunca viveremos bem? Pois dependendo da resposta, já meço meu próximo passo.

Não gosto que gritem comigo. E acho injusto quando você o faz com toda sua ternura; sabe que me desarma. 

Aliás, só você consegue gritar de forma serena. Parece o meu próprio grito repaginado.

Demorei para perceber que você não é eu. Por anos e anos nos confundi. Hoje vejo o quanto fui adulto. E você bem dizia que eu só entenderia nossas singularidades quando eu me acriançasse.

Cá estou, criança, mas chorosa. 

Vamos tentar um pouco de paz? Por favor.

Do seu,

Tadeu Francisco
jul/14


De:Tadeu
Para: Poesia

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