sexta-feira, 28 de março de 2014

Para nunca mais

Van Gogh


Enxerguei-te nas placas dos carros e nas crianças passando.


Estava ali, parada em movimento urbano, presa e solta na selva que inventamos.


Sinceramente não sei quanto tempo durou a sua estadia, sei que o suficiente para o todo sempre se recontar.


Então, em duas versões seguimos. Você desbotada pelo velho cheiro guardado, mas bom; e eu entre cores apáticas de uma manhã cinza-solidão.


Cinza-solidão é a cor que criei, porque acho que toda cor deve vir acompanhada de uma descrição.


Há o vermelho-amor e o vermelho-sangue. Há o azul-céu e o verde-esperança.


Entre todas as cores, você me borra.


Seguimos, abrimos o caderno e nos vimos deitados em letras cursivas, inconclusivas, que nos descreveram em nossos sonhos colegiais.


As cores com nome são para nunca mais.

Tadeu Francisco 
mar/14

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