sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Etilicamente poético

Pintura de Van Gogh


Duas prateleiras 
disputam a posse do Bukowski, 
Um bar entre elas 
Põe tudo a perder.

Tadeu Francisco
nov/13

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

As cores do mundo

Arte de Jerry LoFaro


O que acha que eu espero enquanto conto o número de cores que há no mundo?

Se prefere o cinza apático em tempos históricos, onde a história colonizava com armas de fogo quem lutava munido apenas com pedras, o que posso fazer?

Ainda prefiro contar as cores do mundo, onde me encontro na cor do asfalto, do verde escasso e da pele do casal entrelaçado.

Sobre as tonalidades, confundo-as com as da música, tons sobre tons, cores sobre sons.

A nossa cor é distante e pode ser vista do espaço, em um azul-céu.

Estamos fadados ao começo, naquele papel branco esperando a obra-prima.

Tadeu Francisco

nov/13


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Balanço literário 2013

Vamos ao balanço literário dos livros que li neste ano de 2013.

Muitas pessoas pediram que eu desse nota aos livros. Não acho isso legal, nem proveitoso. O que é bom pra mim pode não ser pro outro. Livro é como vinho, o bom é o que você gosta. Além do que, quantificar arte, gerar uma competição, pra mim, é desnecessário (em mea-culpa, já faço isso de dar notas no Skoob). Arte é sentimento e sentimento é algo íntimo; de cada um.

Aviso também que não comento sobre a história da obra, logo, não dou spoiler.

Bom, vamos lá (os livros não estão na sequência de leitura):

1 - Rimbaud na África - Os Últimos Anos de um Poeta no Exílio, de Charles Nicholl (li no final de 2012): Uma biografia dos anos do poeta na África. Livro muito bom, sensível e detalhista - mesmo que presunçoso em acertar os detalhes, como o próprio autor diz. Sugiro, caso não tenha lido nada de Rimbaud, não começar a entendê-lo por essa obra.

2 - O Caso Laura, de André Vianco: Um policial com um enredo bem romanceado. Gosto muito de leitura policial clássica, e o estilo de escrita do Vianco não é o tipo que me atrai. O que não retira seus créditos, pois, hoje, é um dos escritores mais vendidos sobre o tema.

3 - A Montanha e o Rio,  de Da Chen: Livro sensível e envolvente. Mistura história real chinesa e ficção. Uma disputa de famílias envolta em poder e dinheiro. Às vezes me sugere algo parecido com o estilo do Ken Follett. É um livro muito bom.

4 - O Cliente, de John Grisham: Quem acompanha o blog sabe o quanto gosto do John. É um escritor que me surpreende a cada livro, mas o hábito de lê-lo, me fez ficar exigente com as suas obras, talvez, por isso, tenha esperado mais dele neste livro. O início do livro, também, me fez esperar mais, porque é excelente!

5 - Não Verás País Nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão: Terminei esse livro e pensei: como um cara desse não é o maior best seller do Brasil? É um livro intenso e com uma história incrível. Não posso falar muito sem estragar a história.

6 - O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: Oscar escreve como se vivesse em 2013. É impressionante como seu linguajar é desenvolto e de fácil compreensão (talvez pela tradução boa que tive acesso). Trata de temas pesados através de diálogos bem construídos entre seus personagens. É um clássico que deve ser lido, e eu só o fiz este ano. Assim como fiz com Dom Quixote, do Cervantes, em 2012.

7 - Mulheres, de Charles Bukowski: Bukowski sendo Bukowski. Ácido e com uma sujeira precisa entre cenários e personagens, como tudo dele. Gosto do modo displicente que as frases são apresentadas, bem como a estrutura. Muito bom livro e, pessoalmente, gostei mais deste do que Factótum, que também gostei demais.

8 - O último Jurado, de John Grisham: Segundo livro do John que li esse ano. Tenho sido muito crítico com relação a ele. Acho que vou dar um tempo dos seus livros, pois o li muito, para ver se desintoxico um pouco.

9 - O Diário de Anne Frank, de Anne Frank - org. de Otto Von Frank: Outro clássico que ainda não havia lido. Li com um nó na garganta do início ao fim. A sensibilidade da garota sobre as coisas profundas da vida, e também as banais (as implicações que tem com a mãe), sem saber de seu final trágico, me fez sentir mal. Foi um livro dolorido de se ler.

10 - Dom Casmurro, de Machado de Assis - Versão HQ: Comprei esse livro na FLIPoços. É uma edição para colecionadores e o seu acabamento é perfeito. Um livro que vou guardar com carinho. Ver a história de Machado em quadrinhos foi uma experiência divertida. Lerei para os meus filhos sem as devidas censuras.

11 - Primeiras Palavras, poesias - Rafael Brandão: Conheci o Rafael na FLIPoços e ele faz parte dos meus conhecimentos literários desse ano. Seu livro, apesar de breve, é profundo e ele brinca com as palavras, deixando-as divertidas e reflexivas. Vale cada segundo da leitura.

12 - Apologia do Inesperado, poesias - Lucas Israel Rocha. Dividi espaço com o Lucas também na FLIPoços, quando nos conhecemos. O livro  me foi a surpresa poética do ano. Poeta maduro e que não deixa para trás nenhum grande nome. Li o livro dele em uma sentada, com uma garrafa de café ao lado. Se não bastasse, compartilhamos a mesma posição política, o que nos dá margens para sempre estarmos ligados de alguma forma.

13 - Os Pilares da Terra, de Ken Follett: Excelente livro. Ken nos prende do início ao fim em suas obras. Mas, confesso, que ainda fico com o enredo da Trilogia o Século, que aguardo ansioso o lançamento da última obra, que será em 2014.

John Green - Conheci os livros do John Green após muita insistência de alguns amigos leitores. John escreve bem e não se preocupa muito com a estética gramatical, sem deixar de ser compreendido, o que admiro. É um best-seller. Confesso que gostei de alguns e outros não tanto. Ele sabe prender e a história sempre tem o enredo bom. Como comecei lendo um que curti, prossegui a leitura. Li cada livro (não na sequencia) em dois, três dias. Os que li e não gostei, foi pela temática infantilizada, às vezes exagerada. Assim, concluo que os livros do John, ao que ele se propõe, são bons, emotivos e ajuda uma turma nova na literatura a se interessar pelo gênero. Mérito dele.

Vamos aos livros de sua autoria (do 14 ao 17):

14 - A Culpa é Das Estrelas - O melhor do John na minha opinião, que está sendo adaptado ao cinema. Usando de muito clichê sem transformar isso em algo ruim, conseguiu me fazer sentir a história e viver a angústia dos personagens (que não foram poucas).

15 - Quem é você, Alasca? - Livro bom e triste. Li sem muita pretensão e gostei.

16 - O teorema Katherine - O mais fraco do John, na minha opinião. Livro de férias.

17 - Will & Will - Um livro sútil, que usou de um tema polêmico para dar normalidade à trama.  É escrito em co-autoria com David Levithan.

18 - 1808 - Laurentino Gomes - o professor de história que eu queria ter para sempre. É o primeiro da trilogia, que conta de maneira divertida e envolvente a história política do nosso país. Lerei os outros, com certeza.

19 - O Clube do Filme - David Gilmour - Tirar um filho da escola e educá-lo apenas com filmes. Essa foi a ideia do David quando decidiu escrever esse livro. Vou colar aqui a análise que fiz ao Skoob na época em que o li: "A proposta do livro é boa. O enredo tinha tudo para ser bom. Mas achei um livro fraco. Parece uma relação de pessoas mimadas em relação à vida. Não vi profundidade e nada de emocionante. De qualquer forma, dá pra aprender superficialmente sobre filmes ou pelo menos despertar a curiosidade a respeito de alguns deles."

20 - A Pianista - Machado de Assis - Genial, como quase tudo que li do Machado. Li em uma tarde. O livro é curto e direto, com um romance desvirtuado, mas sincero.

21 - A Sangue-frio - Trumam Capote: Sem palavras. O primeiro livro do Capote que li. Na sequência assisti o filme e um documentário a respeito. Uma trama real que nos deixa emocionalmente envolvido com os personagens. Capote conta a história de um assassinato e, para isso, conta a história de dois homicidas. Faz um vasto trabalho de campo. Um romance jornalístico. Boatos dizem que ele se envolveu amorosamente com um dos dois assassinos. Como ouvi esse boato antes de ler, tive mesmo a impressão fraterna entre eles.

22 - O Grande Gatsby, do F. Scott Fitzgerald: Romance forte e crítico. A quantidade de informação nas cenas é abafada pela trama. Excelente livro que leria novamente. O filme é fraco, achei.

23 - O homem que matou Getúlio Vargas: Biografia de um caça-ditador. Divertido como o Xangô, ou seja, um dos melhores do Jô Soares. Bem melhor que as Esganadas e o Assassinato na ABL.

24 - Asfalto - Sérgio Bernardo. O Sérgio é um poeta completo da maior grandeza. O conheci no twitter e logo notei a sua sensibilidade. Trocamos livros e passamos a nos falar com certa frequência. Ele sempre me ensina, sem querer, a humildade e a sensibilidade da poesia. Lendo seu livro não consegui identificar nenhuma influência direta, o que lhe dá singularidade. Vale muito a leitura. Li e, em um mês, o reli.

25 - Pra Ser Sincero - Humberto Gessinger. Autobiografia do vocalista e fundador da banda Engenheiros do Hawaii. Li esse livro por acaso, e agradeço por ter desbravado a história desse que, para mim, é um dos grandes nomes da música brasileira. Quem me segue por aqui, sabe que curto biografias e essa me fez um preso-leitor com maestria.

26 - Cartas da Prisão - Frei Betto. Ele é pra mim um dos maiores pensadores vivos. Gosto do modo com que aborda temas polêmicos e enfrenta alguns assuntos tão árduos à igreja. Lendo Cartas, pude notar um pouco da origem dos seus pensamentos e ideologia.

27 - Simone de Beauvoir - Por Claude Francis e Fernande Gontier. A primeira coisa que li da Simone, e, com certeza, a primeira de muitas. Inteligente e humana, é assim que resumo Simone de Beauvoir após lê-la. Uma leitura inquieta que me fez querer mais causas à minha vida.

28 - Cem Anos de Solidão - Gabriel Garcia Marquez: Gabo me prendeu e não foi pouco. Mergulhei na vida dos personagens e nos cenários em realismo fantástico. Ele transforma uma simples morte em um vendaval de flores, um simples vidente, em um palhaço cantor. Fecho a lista dos livros lidos agradecendo a vida por ter podido ler este livro.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A ampulheta em dó

Pintura de Salvador Dalí

Vou lhe tocar com a força de uma cantiga. 
Dar-lhe refrões eternos  e ternos
Até sua dança me invadir
passo a passo...
nota a nota...
tom a tom...
em meus ouvidos;
Fazer-me versos sinceros,
por isso não perfeitos.

Tadeu Francisco
nov/13


Demasia

Pintura de Rick Farrell

A saudade
é um 
exagero.

Tadeu Francisco
nov/13