quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Vou

Pintura de Ruben Belloso




Nunca sei o que fazer, 
Então continuo.

Tadeu Francisco
ago/13

A noite passada

Pintura de Ruben Belloso
Essa noite quis escrever algo especial.
Pensei em como seria se fosse a minha última madrugada.
O que eu gostaria que lessem sobre mim?
Queria algo longe de uma frase comum a ser estampada em minha lápide. Não teve jeito, cheguei a um clichê.
Não algo como "carpe diem", ou como "viva o hoje como se fosse o último dia de sua vida".
Cheguei ao clichê máximo da vida, à excelência dos clichês:
A de que não seria aquela a minha última noite, e nem aqueles meus últimos versos. É assim com todos os dias que precedem a morte.
Já com sono, tentei duas rimas.
A primeira rimou as minhas pontes.
A outra, os  meus amores.
Em um segundo o sono acometeu-me e deixou-me menos poeta.
Não que o ser humano por si só não seja poeta, porque acho que o é. Qualquer um. Basta ter pensado em sua própria vida por um segundo.
O sono deixou-me menos poeta consciente.
Amanheci.
E hoje, neste dia, quero escrever algo especial.

Tadeu Francisco
ago/13

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Andar - um conto

Pintura de Kang Kang-Hoon
Se você chegou até aqui, é porque quer saber a minha história. Oportunismo, o meu, começar a frase assim. Que seja.

Sente-se. Não é nada demais, ela é curta e sem emoção. Só não quero que se canse.

Tudo começou quando resolvi me mudar. Arrumei minhas poucas coisas e peguei todo o dinheiro que tinha, pouco mais de cinquenta conto.

Precisei de uma bebida antes da noite entrar. Meu corpo agradeceu. O bar estava sujo e o violeiro esmiuçava uma canção feita pra mim. Não tinha letra. Eu estava ali, e foi bom ser acorde por um segundo. 

O meu segredo entrou pela porta à meia-noite. Ela vestia uma camiseta amarela e um jeans. Se ela era todo o meu segredo, seus olhos me eram perguntas. Veio até mim e se curvou. O álcool percorreu meu sangue rapidamente. Fechei os olhos (posso sentir o seu cheiro até agora). 

O meu segredo deve ter algum nome bonito. Não sei qual. Prefiro imaginá-lo. Seus cabelos longos e o seu jovem rosto etílico, ousavam fazer parte de minha memória. E eles venceram. 

Não se levante ainda, estou terminando.

Eu quis guardá-la, e não dividi-la. De nada adiantou. Ela entrou pelo balcão e abriu a pequena porta que ficava nos fundos. Antes de fechá-la, me olhou. Seus dedos me chamaram e fiquei hipnotizado. Seria comigo? Convencido que sim, dei mais um gole; o último.

A porta era a entrada para um caminho longo, de chão de terra. Jamais imaginei que existiria uma estrada assim atrás daquele porco bar. Não havia sinal do meu segredo, tampouco de qualquer resposta. 

Pintura de Van Gogh
Criei coragem e entrei. Fechei a porta e ela sumiu. Estava solitário em um campo verde e longo, com uma estrada tímida cortando cuidadosamente suas folhas. Olhei para cima e senti sono. A luz do sol não me deixaria dormir. Sim, já era dia. Pelo menos naquele lado.

Distanciei do meu segredo, mas não corri. Fui andando.

No fim da estrada, uma mesa entalhada em um tronco guardava um papel e um lápis. Não havia ninguém, apenas o silêncio e a luz do dia. No canto da mesa natural, uma placa indicava: escreva sua história.

Assim que sentei, fui para outro lugar, dessa vez mais sombrio.

E aqui estou, escrevendo a minha história e esperando que alguém a leia, e me tire daqui.

Tadeu Francisco
ago/13

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Utopia e ficção

Trabalho em progresso de  Yigal Ozeri




Heterônimo,
do meu subconsciente,
O nome.

Tadeu Francisco
ago/13

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Inspiração - os muros da vida

Pintura de Yigal Ozeri



Sei que algo vai mudar
Quando vejo amor
Em todo lugar.

Tadeu Francisco
Ago/13

Procura-se a razão

Pintura de Henrik Aarrestad Uldalen

Permita-me invadir sua calmaria,
ainda que manso,
Perturbar sua alegria.
Solte-me em diálogos, 
pois assim sei me prender.
Tens a chave da razão
Que me afasta de você.

Tadeu Francisco
ago/13



Febre

Pintura de Henrik Aarrestad Uldalen



Não há luz.
Há o meu escuro
No seu.


Tadeu Francisco
abr/13

Sinceridade

PIntura de Henrik Aarrestad Uldalen


Meu nome se confunde com as folhas que caem no quintal de sua casa.
Confunde-se com o cheiro de sua sala e do seu cabelo molhado.
São sílabas trocadas, quase um sussurro (ou um gemido)
[ciladas],
Que repousam sobre nossos lábios e precedem o toque dos gostos.
Meu nome se confunde com o seu.

Tadeu Francisco
ago/13

Há de chegar

Pintura de Gottfried Helnwein

Vai chegar o tempo 
Em que sua palavra 
Será meu acalento.

Tadeu Francisco
mai/13

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Mais da metade

Pintura de Gottfried Helnwein

A gosto de Deus
Do seu, do meu.
Ao sabor do vento,
Da brisa rasteira,
Da chuva certeira.
(...)
Nossa tempestade pecadora
Ao desgosto de Deus.

Tadeu Francisco
ago/13