segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ana Lúcia

Pintura de Geraldo Lancerdine

Chamo-me Ana Lúcia e aprendi que a vida atravessa a rua sem olhar para os lados, e sequer espera por isso.

Já eu, espero para acordar, espero para viver.
 
Entre tantas, minha saia é a mais desbotada e a mais antiga; perdoe-me se ela lhe causa espirros e tédio.

Minha mãe me chamava de Aninha e, antes de morrer, prometeu-me uma boa vida. Prometeu o que não podia cumprir.

Esperei tanto que a vida me acontecesse, que ela sequer passou, ao contrário do tempo, que, galopante em meus devaneios, me fez rugas.

Sou ainda o que resta da Lúcia sem qualquer Ana.
 
Ainda espero pelo fim dos meus dias, e espero que venha acompanhado de um bonito pôr-do-sol.

Tadeu Francisco
Dez/13

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