terça-feira, 8 de outubro de 2013

Crônica quase real - o diário de casa II

O Leitor

Pintura de José Ferraz de Almeida Júnior

Minha história como leitor.

Nunca chegarei a conclusão nenhuma enquanto estiver lendo algum livro. 

Explico: o livro, para mim, é um grande embaralhar de ideias. Consigo dar risada de uma crise política se estiver lendo uma comédia; e chorar assistindo propaganda de bancos se estiver lendo um romance.

Nada me atrapalha. Só gosto de uma boa história; e de voar em pensamentos.

Leio em lugares não tão comuns, como padarias, filas, açougues, carros, restaurantes etc. Algumas pessoas me veem lendo nesses lugares e discursam:

- Ah, eu também adoro ler. É bom, né?

Eu sempre concordo, com um sorriso, antes de parar minha leitura e perder o fio da meada da história. As pessoas têm a louca mania de achar que quem está lendo não está ocupado, chegam e falam. Mas não me importo, na verdade. 

Não vejo pessoas lendo na mesma proporção que ouço frases adoradoras da leitura.

Certa vez lia em uma fila de banco, quando chegou um conhecido.

- Tadeu! Lendo um livrinho aí, né?! Sabia que o sonho da minha vida é ler livros?

Acho que na hora não entendi ao certo e minha cara de paisagem ante àquela confissão pode ter soado arrogante. 

Tudo bem que houve um exagero em sua frase e uma inversão racional da intenção entre a hipérbole - talvez sincera - e o sonho. 

Decerto ele queria gostar de ler. 

(Decerto as pessoas gostariam de gostar de ler.)

Agora, se isso é deveras o sonho da vida dele, a humanidade está indo bem.

Sobre isso, não chegarei a nenhuma conclusão, pois, no momento, estou lendo algo sem importância, acho que um livro sobre finanças.

Tadeu Francisco
out/13

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