quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A noite passada

Pintura de Ruben Belloso
Essa noite quis escrever algo especial.
Pensei em como seria se fosse a minha última madrugada.
O que eu gostaria que lessem sobre mim?
Queria algo longe de uma frase comum a ser estampada em minha lápide. Não teve jeito, cheguei a um clichê.
Não algo como "carpe diem", ou como "viva o hoje como se fosse o último dia de sua vida".
Cheguei ao clichê máximo da vida, à excelência dos clichês:
A de que não seria aquela a minha última noite, e nem aqueles meus últimos versos. É assim com todos os dias que precedem a morte.
Já com sono, tentei duas rimas.
A primeira rimou as minhas pontes.
A outra, os  meus amores.
Em um segundo o sono acometeu-me e deixou-me menos poeta.
Não que o ser humano por si só não seja poeta, porque acho que o é. Qualquer um. Basta ter pensado em sua própria vida por um segundo.
O sono deixou-me menos poeta consciente.
Amanheci.
E hoje, neste dia, quero escrever algo especial.

Tadeu Francisco
ago/13

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