quarta-feira, 5 de junho de 2013

Sinceramente

Não sinto as palavras como queridas lembranças.
 
Sinto-as como sintomas; como feridas.
 
Se me machucam por vezes, devo lhe esclarecer que é porque sei mais do que deveria saber.
 
Se me são filhas bastardas, oro a Deus pelo descaso, pela indiferença paralela à minha dor.
 
Queria parar aqui e lapidar os meus rascunhos, mas não posso.
 
Sou uma frase inacabada, presunçosamente imperfeita.
 
Deixarei a maresia da vida como lembrança, talvez uma singela moldura pendurada na parede.
 
Dar-lhe-ei um pouco de tinta e o resto do grafite.
 
Assim, vejo-lhe em meus muros, com pregos lhe cortando; mais cortes do que o necessário; jorrando um sangue mais claro.
 
Não lhe entregarei um texto sem desfecho. Serei seu ponto final e sua amargura.
 
Seria este um final feliz? Acredito que não.

Cobrir-me-ei com a realidade e irei para o leito da vida aguardar a correnteza.
 
E quando ela chegar, sinceramente, fugirei com força; nadarei contra, para um dia, quem sabe, ser alguém de verdade.

Tadeu Francisco
jun/13

Um comentário:

  1. Porra, que texto bonito...vou publica-lo no facebook...rs - Roldão

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