sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A Grande Tapeçaria






Fiquei muito feliz com esse artigo do amigo jornalista Daniel Souza Luz sobre meu romance A Grande Peça. Apesar de eu achar, sinceramente, não merecer tanto.


Daniel foi fundamental na finalização da obra. Deu dicas importantes e sempre colocou sua opinião sincera de um modo muito seguro e claro.

Agradeço pelo carinho e pelas lúcidas palavras.


A Grande Tapeçaria



Tive o prazer de ser um dos revisores do primeiro romance de Tadeu Francisco Rodrigues, A Grande Peça, do qual também fiz a leitura crítica, um trabalho essencial de avaliação de detalhes da trama, geralmente anônimo. Tadeu é um amigo, mas sinto-me à vontade tanto para afirmar que é excelente escritor quanto me senti para apontar falhas no enredo quando tive o privilégio de ser um dos que leu o livro em primeira mão – um raro escritor que conjuga a vontade de ser lido por um público mais amplo sem cair nas banalidades dos best-sellers, esse quase subgênero literário anódino. Pelo contrário, faz literatura de verdade, sofisticada e sem sujeitar-se a gêneros, ainda que roce em alguns; notadamente certo romantismo extemporâneo, intimista e avesso às transformações tecnológicas, até que o mundo atropele o protagonista, Pedro de Carvalho, forçando-o a sair de seu Gulag pessoal, um pretenso idílio que apenas o transtorna.

Dramaturgo, Pedro vive dilacerado pelo o que Flaubert, Humboldt e muitos, muitos outros, há muito diagnosticaram: o trabalho com as palavras, essa tapeçaria intrincada a qual os autores (Tadeu, seu personagem, todos que escrevem) tanto prezam, nunca é suficiente para expressar sentimentos –  as palavras faltam no momento certo ou, postas no papel, são simulacros que talvez consigam explicar sentimentos que não conseguiram ser verbalizados anos, décadas, vidas atrás. Pedro volta à vida devido a essa ínfima esperança. O potencial de arrebatamento do leitor está aí. Contudo, Tadeu evita as fórmulas da subliteratura ao tratar de superação e de um grande amor perdido, essas armadilhas que atraem quem procura superficialismo.

Como um M. Night Shyamalan que não perdeu a mão e preferiu a literatura ao cinema, Tadeu surpreende seguidamente o leitor ao lançar mão de tempos narrativos paralelos e quebrar as expectativas do senso comum. O paralelismo daestruturação espaço-temporal remete à peça A Moratória, um clássico do teatro brasileiro, escrita pelo dramaturgo Jorge Andrade, e a imersão no basfond carioca é uma navalhada na carne que acena para Plínio Marcos, outro grande nome do teatro nacional.  É literatura com culhões, como tem que ser, sem tons de erotismo anódino e sim com a crueza da vida, do sexo e dos relacionamentos mais passionais, por isso mesmo acessível, com a qual qualquer um pode se identificar.

Daniel Souza Luz é jornalista e revisor.

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