quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Mais um final

Pintura de Picasso

Esqueça o que disseram sobre novos rumos ou projetos arquitetados meticulosamente.

Se ficou algum tipo de saudade, que não escorra pelos poros latentes, que almejam uma afamada revolução interna, com lágrimas e clamores.

Penso em um novo fogo e em uma nova chama. Dessas que queimam calendários e emburrecem os menos nobres. 

Não precisamos de ousadia vã, muito menos de uma rebeldia religiosa.

Passam-se os tempos e o canal de TV exibe os mesmos bobos da corte, que nos entregam pães pelas manhãs.

Prefiro ser novo ano, não ter um. Um novo ano que mescla coragem e desespero. Que não se entrega, mas se espera. 

Meu amor, o que somos senão a espera? 

Sejamos francos com o espelho, e não escondamos aquelas rugas benditas que enaltecem as nossas dores. E que tenhamos o querido valor que nos torna humanos e recupera o ar que perdemos após um abraço de despedida.

Afinal, é apenas mais um final.




*Ps: Música "Em Paz" - Humberto Gessinger


Tadeu Francisco
dez/12

2 comentários:

  1. Gostei tanto de: "prefiro ser novo ano".

    Consequentemente pode-se preferir "ser vida nova" e é sempre bom!

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