quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Sobre o verão

Pintura realista de Lee Price

Tarde,
antes muda,
sussurra-me.
Solitário sol
Sou.

Tadeu Francisco
nov/11

Aviso

Pessoal, o domínio do blog foi registrado e agora ele poderá ser acessado via:

www.fragmentosdeumavirgula.com.br

Tal endereço é de mais fácil divulgação e me protege quanto ao nome do blog.

O outro endereço continua valendo normalmente.

grato,

Tadeu Francisco

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Melodia e ar

Obra de Iberê Camargo

- Vento,
Tu notas as minhas notas?
E você,
Terra?

Tadeu Francisco
nov/11

Sobre ser poeta - José Saramago

José Saramago é uma figura mítica; inerência que atribuo à sua personalidade forte e singular. Era ateu, comunista, sensível. Predicados que desmentem as pessoas que associam o comunismo e o ateísmo à insensibilidade. Saramago, português, nasceu em 1922 na cidade de Azinhaga, Golegã (vila portuguesa pertencente ao pequeno distrito de Santarém) e recentemente comemoramos seu aniversário, dia 16 de Novembro. Ele faleceu no dia 18 de Junho de 2010, aos 87 anos, nas Ilhas Canárias, Espanha.

Saramago nos brindou com inúmeras obras, 16 romances no total, que nos levam aos mais loucos desafios surreais, seja pelo dia que nunca mais se morreu, com o célebre "Intermitências da Morte", seja pelo dia  em que todas as pessoas ficaram cegas, com o "Ensaio sobre a Cegueira". Uma obra em especial - que muito admiro - é o livro "Todos os nomes". O escritor descreve muito bem os cenários e a cabeça do Sr. José, pobre funcionário de um Cartório de Registro Civil. Fica minha indicação para quem quiser ler.


Ao falar de Saramago não podemos esquecer que o escritor ganhou o festejado prêmio Nobel de Literatura, em 1998, e o prêmio Camões, importante prêmio literário português. Por essas, podemos dizer que ele é um dos mais importantes escritores da língua portuguesa. E por falar nisso, um fator que muito me fez admirá-lo, foi o fato de ele ter criado um jeito próprio de escrever, não utilizando algumas pontuações, parágrafos e outras regras gramaticais. Era a excelência da escrita clandestina, pela essência dos dizeres. Não se atinha às normas gramaticais e o leitor não se perde por isso, pelo contrário, cria-se um ritmo de leitura de muito mais fácil compreensão.

Uma parcela minoritária de críticos não aplaudem essa iniciativa de Saramago, mesma parcela que critica o demasiado uso de diálogos longos em um único parágrafo. Contudo é essa característica, para mim, que faz Saramago ser quem ele é; é o que o personifica.

Dentre as suas obras podemos citar “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, “Ensaio sobre a Cegueira”, “Intermitências da morte”, “Caim”, "A jangada de pedra", etc.

O cineasta brasileiro Fernando Meirelles, em 2008, trouxe o romance "Ensaio sobre a cegueira" para as telonas, filme elogiado pelo próprio Saramago. Particularmente gostei muito do filme, com todas as ressalvas necessárias às adaptações literárias.

O vídeo a seguir havia sido postado em meu twitter quando do aniversário de Saramago, dia 16 de novembro, então alguns leitores já devem ter assistido. De qualquer forma, é um belo registro histórico produzido pela TV Cultura no programa Entrelinhas. O programa traz algumas opiniões e depoimentos, bem como uma entrevista com o próprio escritor.


Tadeu Francisco
nov/11

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Aviso

Pessoal, o Sobre Ser Poeta da semana já está pronto e traz ao blog um escritor muito requisitado por vocês quando das sugestões para a série.

Mas, infelizmente, o vídeo não está sendo carregado (penso que isso se deve ao fato de a minha internet hoje estar muito lenta). Como não quero fazer as coisas pela metade, espero que amanhã minha internet colabore e eu consiga postar normalmente.

Obrigado pela compreensão de sempre,

Tadeu Francisco

Não parar

Obra do não muito aplaudido Chardin (1728).

Enquanto houver tempo,
tento.

Tadeu Francisco
nov/11

Quando não dormi - insônia

Pintura de Denis Petersen

Noite sem madrugada; 
meio incerta,
meio dia.

Tadeu Francisco
nov/11

Poesia morena

Pintura de Iman Maleki

Ô, menina!
Venha ler seu livro
E seja minha rima.
Achegue
parda cruz...
penhasco duro,
escura luz.

Tadeu Francisco
nov/11

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Aflito

Édouard Manet

- Nobre paranoia,
entre o belo e o completo,
uma gota de canção.

Tadeu Francisco
nov/11

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Nós

Obra de Magritte

E lá
Eu vi
Uma metade
Inteira.

Tadeu Francisco
nov/11

Som

Pintura realista de David Kassan

Perceber
aquele
som.

Deixado de lado
com a solidão.

Melodiando seu olhar,
tirando o chão;
o ar.

Tadeu Francisco
nov/11

Sonho

*

Sonhos doentes
me envenenam;
tal como a serpente
dos seus olhos
Dementes.

Tadeu Francisco
nov/11

*Ps: Imagem de autoria desconhecida.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Quando acabou

Pintura realista do paulista Maurício Takiguthi

Séculos
em mim
Desperdiçados
no fim.

Tadeu Francisco
nov/11

Prece

Obra de David Kassan

Perguntei se a oração aconchega.
Ouvi seu sono.

Tadeu Francisco
nov/11

terça-feira, 22 de novembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Som e sonho

Obra "Acrobat" - Picasso

A noite se reparte.
Sobre-me uma parte.

Tadeu Francisco
nov/11

Sobre ser poeta - Edgar Allan Poe

Poe por Juarez Ricci
Em um primeiro contato com Poe, me vi mergulhado em uma série de preconceitos nas suas variadas formas. Seja porque atribuíram a ele o título de precursor da literatura (incluindo a ficção) norte-americana, a qual eu era muito resistente. Sejam pelas opiniões a respeito do que seria de fato uma literatura policial, a qual sou um amante.

Quando peguei o primeiro livro de Poe para ler, já era um aficionado por Sherlock e logo fui informado sobre a influência que ele exercia sobre Conan Doyle, influência que comprovei com meus próprios olhos em uma leitura não tão atenta. Quando escrevi sobre Arthur Conan Doyle citei Poe por essa mesma razão.

Vou me focar em apenas uma obra, que, pra mim, traz as características mais fortes da literatura de Edgar e consegue resumir todas as outras de um modo, logicamente, bem simplório. Deixo a curiosidade com o leitor, que pode buscar mais de seus livros e viajar nas suas ilusões assim como fiz e faço.

Quando li "Os Crimes da Rua Morgue" (também traduzido como "Os assassinatos da rua Morgue"), entendi o que deveras é um de cenário misterioso e recheado de vida, como os personagens de Poe; gênio inconteste da história bem traçada. Esse livro, em especial, narra a história de dois violentos assassinatos. Duas mulheres mortas na rua Morgue em Paris. Na história, Poe envolve o leitor em diversos mistérios, fazendo-o percorrer por caminhos - que ao que tudo leva a crer - não têm saída. 
Como um salvador da pátria bem articulado, Edgar traz o detetive C. Auguste Dupin (considerado precursor de Sherlock Holmes) ao contexto, e o faz compondo um personagem inteligente e que utiliza de deduções fantasiosas e fantásticas para solucionar o caso. Dupin é um tipo muito mais ilusório que Holmes, pois Sherlock é mais humano nas resoluções de seus casos. Graças ao detetive Dupin é que atribuem a Edgar Allan Poe os primeiros contos da literatura policial. Mas não pense o leitor que Poe escreveu como Conan Doyle. Ao contrário de Sherlock, Dupin aparece somente em três contos de Edgar. 

O conto misterioso ainda inspirou a composição de uma música da banda Iron Maiden, que pode ser encontrada no álbum Killers, chamada "Murders In The Rue Morgue".

Poe morreu jovem, aos quarenta anos, o que o impossibilitou de nos deixar mais de seus contos e fantasias. Diversos críticos literários ainda dizem que Júlio Verne muito carinho nutria por ele, além de, evidentemente, se inspirar em Poe quando da criação de suas histórias. 


Além desse clássico literário, Edgar pode ser lembrado em contos célebres como "A Carta Roubada", "O Mistério de Maria Roget", dentre outros.

Tadeu Francisco
nov/11

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Fora da lei

*

Na lei do silêncio
dito as regras.
Aos berros.
Quebrando-as.

Tadeu Francisco
nov/11

*Ps: Reprodução do quadro Judite e Holoferne de Michelangelo Merisi Caravaggio. Confesso que relutei um pouco em colocar essa obra do Caravaggio (1571) no blog. Ainda não tenho uma opinião muito bem formada sobre ele. Sei que era um pontor polêmico para a época, isso porque ele pintava o lado mundado de eventos bíblicos, usando como personagens pessoas comuns de Roma.

Real idade

Obra de Sebastion

Fita-me
O espelho;
enfeando-me.
Reflito.

Tadeu Francisco
nov/11

(A) balada

Obra de Jean-Pierre Ceytaire

Noite com luz negra,
poesia de gente triste.

Tadeu Francisco
nov/11

Sobre viver

Van Gogh

Em terra
Deficiente de nós
Vivo.

Tadeu Francisco
nov/11

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A defesa

Família da praia - Di Cavalcanti

Se forte for,
pelos meus,
parto em silêncio.
E reparto o pão,
e separo sua metade.

Tadeu Francisco
nov/11

Comum - ser simples

Obra "Casal" de Picasso

Certa vez acordei raro,
ela não me reconheceu;
e se foi.

Tadeu Francisco
nov/11

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Falsa

Autoria desconhecida

Ela
quando 
Sincera,
Mente.

Tadeu Francisco
nov/11

Enquanto não morrer

Obra de E. Manet

Não tive prazo pra cumprir,
sequer sono pra sonhar.
Expirou minha validade,
o meu tempo de combate


Tadeu Francisco
nov/11


Fatos reais

Pintura realista de Robin Eley


Decorei o texto,
íntegro.
Minha vida,
toda graça,
toda via,
mudou o roteiro.

Tadeu Francisco
nov/11

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Aviso

Pessoal, infelizmente não escrevi o "Sobre ser poeta" dessa semana. O feriado, algumas viagens e um tempo com a família me impediram; o que não foi de todo ruim pelo raro momento de folga.

Semana que vem a série volta ao normal.

Grato,

Tadeu Francisco

domingo, 13 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sapatos - Van Gogh

Sapatos - por Van Gogh

Recentemente usei em algum post aqui no blog um quadro chamado "Sapatos", do pintor Van Gogh. Pelo brilhantismo, achei que o tema merecia um post isolado.

Sempre trouxe comigo que Van Gogh, assim como Munch, era uma pessoa depressiva e triste. Falo pelo que sinto quando vejo seus quadros belos, pesados e audaciosos.

Há discordância sobre os motivos que o levaram a pintar sapatos. Alguns dizem - com absoluta propriedade - que tal tema é ligado à origem do pintor, que cresceu na zona rural da Holanda.

Não sei ao certo, mas sei o quanto fico encantando quando vejo essas pinturas. A uma, porque acho um simbolismo perfeito para a poesia. A duas, porque ele nunca retrata sapatos novos, são sempre usados, o que desperta meu imaginário e me rende bons minutos de observação em cada obra.

Deixo aqui três pinturas que muito admiro:





Ps: me incomoda um pouco o fato de os dois últimos quadros terem sapatos virados.

Tadeu Francisco
nov/11

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Eles


obra de Daniel F. Gerhartz

Eles
apareceram
na minha sala;
e eram muitos.
Quando saíram
levaram a minha porta.

Tadeu Francisco
nov/11

Jantar

Obra de H. Matisse

Janta
posta

E o mundo
naquela mesa.

Vi ribeiras,
estrada,
canseira.

Tadeu Francisco
nov/11

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Desânimo

Natureza Morta - Van Gogh

Quando finito
deixei de lado
o que me era eterno.

Tadeu Francisco
nov/11

Mar inteiro

Obra de Picasso
Doce
água
do mar
Salgue-me.

Enquanto
velejo a dor.





Tadeu Francisco
nov/11

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sobre ser poeta - Fernando Pessoa

Juntamente com Clarice Lispector e Cecília Meireles, Fernando Pessoa é um dos poetas mais sugeridos na minha caixa de email para esta série. Relutei um pouco em escrever sobre ele, porque tenho medo de não demonstrar a grandeza que atingiu na literatura mundial (ouso dizer). 

Fernando Pessoa foi o primeiro poeta que me inspirou a ser escritor, instigando-me em dois passos. Primeiro, porque fui tendo a sensação peculiar de que poderia alcançar tudo que desejasse, criar mundos e fantasias, ser eternamente feliz. Segundo, em contrapartida, porque amadureci e aprendi que não é bem assim. Quando começamos a escrever, a despertar o poeta adormecido, o que acontece de fato é o caminho inverso. Nossas dores se  acentuam e a dor do outro se torna a nossa.

Os dizeres de Pessoa possuem vida própria. Quando lemos seu poemas, de pronto reconhecemos a autoria e já sentimos escorrer as mesmas lágrimas que escorreram nos seus olhos quando da criação.

Por Fernando Pessoa tive vontade de viver no início do século, só para enchê-lo de perguntas sobre tantos mistérios que encontro em seus versos; mistérios que, de tão escancarados e diretos, deixam a minha cabeça desesperadamente inquieta. Fernando era único, mesmo assinando como Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro; seus heterônimos. Pessoa morreu em 1935 e sobre seu possível epitáfio, deixou alguns dizeres em meados de 1900:

Se depois de eu morrer, 
quiserem escrever a minha biografia, 
não há nada mais simples. 
Tem só duas datas,
a da minha nascença 
e a da minha morte. 
Entre uma e outra 
todos os dias são meus.
Como Alberto Caeiro.

Creio que Fernando queria ser vários, queria ser o mundo. Escreveu sobre todos os tipos de emoções e não tinha um foco específico, o que lhe dá méritos por ser bom em qualquer tema inerente ao ser humano. Não por menos, nos deixou um dos maiores poemas, na minha opinião, quando escreveu:


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. 
                                                                      Fernando Pessoa; Autopsicografia

Algo que me incomoda sobre a literatura de Fernando Pessoa é o desleixo, às vezes, presente nas escolas, pelo menos com as que tive contato. Parece que quanto mais se repete um poeta, sem dar a devida atenção às suas obras, ele se torna comum e vazio. Fazendo um breve diagnóstico, após alguns trabalhos em diversas escolas, cheguei a uma conclusão triste: a maiorias dos professores e professoras não lêem poesias que supostamente ensinam aos alunos.

Como consta da grade curricular, eles repassam aos alunos tal como lhes foi passado, meramente em material; o que empobrece o artista, salvo exceções. Só sei que quando você, em primeiro lugar, não se convence de algo, dificilmente convencerá terceiros. E com Pessoa acontece isso. Ele acabou virando um escritor para não leitores. É uma espécie de fenômeno que acontece com os livros da moda, que tanto vendem. Temos uma maioria de não leitores em nosso país, lê-se leitores eventuais. E são eles que compram as obras que estão em voga. Tirando algo bom disso tudo, temos um Fernando Pessoa para todos os gostos. Para os leitores assíduos de obras complexas e profundas, e para os leitores esporádicos, que se esbaldam ao citar frases de poetas sem um encaixe no contexto.

O vídeo abaixo é uma interpretação visual do poema de Fernando Pessoa na Voz de Paulo Autran:



Tadeu Francisco
nov/11

Espero-te

Obra de Joaquín Sorolla
Eu cheguei
ela saiu.
Não viu meus olhos,
sequer meus desejos.
Tenho tempo.

Tadeu Francisco
nov/11

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Visionário

"O desolado" - Aldo Locatelli
Transpassei meu futuro;
corri demais.

Tadeu Francisco
nov/11

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Memórias - o que pensavam sobre mim

"Um par de sapatos" - V. Van Gogh

Por toda a minha vida
me importei com o pensamento dos outros.
Hoje, morto, tornei-me eles;
nunca fui eu.

Tadeu Francisco
nov/11

O juiz e a moça

Obra de Rafael Monteiro

Julgando
o seu
andar

não consigo
caminhar.

 
 
 
 
 
Tadeu Francisco
nov/11

Externo

"Retrato de Maria" - C. Portinari (34)
Cabelo penteado,
alma amassada.

Tadeu Francisco
nov/11