domingo, 31 de julho de 2011

Guardião

Obra de Salvador Dali
Casa velha,
santa esquecida;
que jeito estranho
de me dar guarida.

Tadeu Francisco
jul/11

sábado, 30 de julho de 2011

Extração

Chuva de raio - Patrícia Lettiere

Ex
tração
de raio.
Ex
traição.

Tadeu Francisco
jul/11

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Sobre ser poeta - Hilda Hilst

É com orgulho que falo nessa semana de uma grande contista, poetisa, escritora, a genial Hilda Hilst.

O primeiro contato que tive com ela foi intermediado pelo meu professor de matemática, Rubens, amigo pessoal de Hilda. Devorei muitos livros, alguns mais de uma vez, como o intitulado "Do desejo".

Hilda, pra mim, transcende a nossa geração. É visionária e não segue muita lógica poética (como se precisássemos de alguma).

Ela faleceu em 2004, quando eu estava na iminência de conhecê-la; o que lamento até hoje.

O vídeo foi extraído do programa "Entrelinhas", e fala de um encontro promovido pela editora globo para comemorar os oitenta anos de nascimento da escritora.

Vamos  ao vídeo.


Tadeu Francisco
jul/11

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Pedaço

Obra de Salvador Dali

Parte de mim,
perto de mim,
perto do fim.
Quantas partes sem ti.

Tadeu Francisco
jul/11

terça-feira, 26 de julho de 2011

Despedindo

Despedida de Heitor e Andrómaca (G. CHIRITO; 1917)
Lá se foi o primeiro aceno,
o segundo, o terceiro.
Lá se foram as coisas que levei,
os passos que daria,
a dor que guardaria.

Tadeu Francisco
jul/11




*Ps: poema  para o meu querido irmão, Pê .

Amargura

Obra de E. Munch
E quando ela olhou com raiva,
a raiva olhou para ela.
Satisfeitas,
enamoradas,
adormeceram.

Tadeu Francisco
jul/11

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Prisão e tatuagem

Obra de Joan Miró

Braço timbrado
pintando desordem.
Vida
sem cor.

Tadeu Francisco
jul/11

Pequeno

Menino com cachimbo - Picasso
O menino despede dos seus;
emperra a porta,
dá-me adeus.
Pequeno menino,
mais longe,
mais Deus.

Tadeu Francisco
jul/11

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sobre ser poeta - Carlos Drummond de Andrade

Trago ao blog um pouco da história de um poeta genial: Carlos Drummond de Andrade.

"Conheci" Drummond quando tinha doze, treze anos. Mineiro, me despertou a curiosidade através da sua imagem: velhas ilustrações que estampavam o mural da escola. Como já lia um pouco de Fernando Pessoa, assimilei muito a imagem dos dois. Magros, raquíticos e profundos.

Primeiro tive contato com alguns de seus poemas, depois com alguns contos; não parei mais. Hoje sou um assíduo leitor e curioso às peculiaridades de sua vida.

Segue um documentário sobre sua vida, que mostra um pouco do seu cotidiano, da sua vivência e de suas paixões.



Tadeu Francisco
jul/11

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Samba Canção

A rosa amarela, 2008  Fernanda Guedes

E se for pra dormir comigo em samba,
venha canção.

Tadeu Francisco
jul/11

Caminhos

Obra de C. Monet

Por hoje
é preciso
ir,
por
onde
é preciso.

Tadeu Francisco
jul/11

Saber ser

Obra "ambição"
Reguei tantas plantas,
formei água e pedra;
ambicionei Deus,
em um único sentido
de ser seu.

Tadeu Francisco
jul/11

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Completo

Obra de Van Gogh

Em tempo,
sou seu
tempo.

Tadeu Francisco
jul/11

Declama-me

Retrato do poeta Mallarmé - por Claude Manet
Declamou alvo às praças escuras.
Sua voz sendo minhas letras,
do avesso.

Tadeu Francisco
jul/11

terça-feira, 19 de julho de 2011

Jeito

Suplício pelo alívio - E. Munch

O seu jeito,
cheio de estufar o peito,
ensinou que viver dói.
Ao seu jeito,
ao seu peito,
aos seus rumores;
dói.

Tadeu Francisco
jul/11

Crônica V

O palestrante

David Brown - caricatura de Joan Miró
A oratória se dissolvia em um tema chato, algo relativo à física quântica misturada com alguns embalos de ondas magnéticas ressonantes. A voz velha do orador – professor renomado - transpassava o ar e chegava com intensidade aos ouvidos dos atentos; em martírio, em chiado. A mesa era composta por colegas desinteressados e bajuladores, nada digno de nota.
O rapaz ao fundo incomodava. Atrapalhava a palestra, os vizinhos e o palestrante. Bem vestido, fedia a cachaça. Suava, gesticulava, sorria.
O nobre professor, com um leve mexer das mãos, soube fazer chegar ao presidente da noite um sinal autorizando a retirada daquele rapaz embriagado. O malogrado público deixava escapar risadinhas, que encorajavam o meliante bêbado.
Mal sabia o nobre palestrante que o tema muito inquietava a cabeça do inoportuno rapaz. Misturado em sanidade e consciência, mesmo embriagado, imaginava-se em um grande filme americano defendendo com bravura as intermitências e balelas dissertadas pelo professor; contrárias à sua crença.
Com muita classe, o presidente da mesa autorizou a intervenção ao chato etílico e deselegante, que já berrava, aos fundos, trechos desconcertantes de alguma obra da doutrina física.
Um baixinho rapaz, acompanhado de um peito estufado e um arregaçar de mangas, feito um vagão descarrilado, foi o eleito para conversar com o dissonante chato. Tal foi a surpresa quando os dois metros e doze do bêbado se apresentaram. O pequeno homem, após alguns tropeços para trás de medo, continuou o martírio da sua caminhada rumo ao atrapalhado, fazendo cara de mau - mas amedrontado no âmago – de modo que o público não percebesse seu receio; pois muita gente o admirava em tamanha coragem.
Com uma tentativa de suborno pessoal, e por questão de honra, o apaziguador machão não se deteve e, com um breve cochichar, fazendo cara de poucos amigos, a mesma que ficaria no imaginário da plateia, foi incisivo ao falar bem baixinho:
- Está quente aqui, não?
Mal sabia o público que o pacificador apenas falava reles palavras sobre o tempo, enquanto, fazendo tipo, gesticulava para a porta dando a entender uma falsa fúria e ordem. O bêbado ouviu a pergunta sem nada entender. Ficou ainda mais insano por não entender nada que o baixinho estava falando. Olhou desajeitado pro homem do tempo e gargalhou freneticamente. A plateia ficou séria.
Coitado do homenzinho, humilhado e freado na tentativa pacífica. Assustado e recatado, deu passos para trás, não se dando conta da imensa janela de vidro que estava aberta logo atrás. Estatelou-se no chão.
O palestrante desconcertado, não imaginou que a sua oratória seria alvo de tamanha desgraça. Pigarreou alto querendo chamar atenção de todos, foi em vão. O público se focava lá para baixo, no desengonçado pigmeu estatelado. O orador não se conteve, e quando do esvaziamento da plateia, passou a gritar o assunto, ignorando completamente o ocorrido com o baixinho.
O bêbado ainda prestava atenção, o único, e já se sentia naturalmente são ante a queda do pequeno homem, que, todo quebrado, mal gesticulava. Passaram-se três longos minutos até um menino de Deus descer as escadas para acudi-lo. Todos desceram até o térreo. Fizeram uma roda quase perfeita em torno do corpo do pequeno. Apenas o bêbado permaneceu firme na palestra, e ousou se sentar bem na frente.
O palestrante não parou de falar, mas o fazia em tom fúnebre. Sentou-se no palco e, ainda aos berros, em meio às lágrimas, começou a concluir todo o seu tratado quântico.
Concluiu infeliz.
O tempo se esgotou, o palestrante agradeceu a presença do embriagado compenetrado, que levantou e o aplaudiu por longos 40 segundos.
Entre palmas descompassadas e nada harmônicas, a sirene da ambulância fez coro e abafou a empolgação do bêbado.
O baixote foi levado ao hospital e o palestrante decidiu pagar uma dose a seu único ouvinte.
Na maca do hospital, o pequeno homem nada entendia, mas ainda serrava os punhos pronto para uma briga.
Entre soros e soluções médicas, no dia seguinte, eis que o baixote abre o olho e encontra alguns notáveis, dentre familiares e o dono do hospital, que foi o único a perguntar:
- Tudo bem, amigo?
Ante a aquiescência do pequeno, fechou a questão:
-Desculpe-me por ontem na palestra. Bebi demais!

Tadeu Francisco
dez/10

Poder e comida

Obra de Ivana Kobilca
Um doce da vó,
que de tão açucarado,
livrou-me de ser só.

Tadeu Francisco
jul/11

Fé forçada

"Fronteira" de Camilla Miranda Martins

Empurrou-me
para o risco
da fé
riscada;
amolou-me.

Tadeu Francisco
jul/11

segunda-feira, 18 de julho de 2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sobre ser poeta - Paulo Leminski

Para fecharmos a semana, apresento um vídeo que mostra alguns pensamentos do meu poeta favorito: Paulo Leminski.

Leminski nasceu em Curitiba e é muito bem aceito na literatura sulista e nacional. Quando morei no sul, ainda pequeno, tive o prazer de conhecê-lo. Foi meu primeiro "professor" de poesia, e fico emocionado até hoje com seus Haikais.

Como tantos bons, morreu cedo. 

O vídeo é excelente e dispensa maiores comentários.


Tadeu Francisco
jul/11

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Mãe

Obra de Joan Miró
- Saia do frio,
não tome vento,
venha ler o livro que tanto gosta!
...
Pude senti-la no sereno;
e lê-la nas páginas que faltavam.

Tadeu Francisco
jul/11

Briga conjugal

Obra de Tarsila do Amaral

Desculpe-me
se cheguei tarde.
Tinha troco na despensa;
e um bocado de alarde.

Tadeu Francisco
jul/11

Cego

"O desjejum do cego" - obra de Pablo Picasso (1903)
Tenho tino para voar;
o meu desafio,
é para isso atinar.

Tadeu Francisco
jul/11

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Quando os poetas tentam entender o amor

Obra de Joan Miró

Foram tantos
personificando o invisível,
repaginando o indescritível...
e ninguém entendeu.

Tadeu Francisco
jul/11

terça-feira, 12 de julho de 2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Seleta

Obra de E. Munch
E ela me pareceu puta.
Quanto ao resto?
Não me lembro;
custava caro.

Tadeu Francisco
jul/11

Sol

Obra do incrível Joan Miró - Sol Vermelho

O novo sol acarinhou-me lento.
Inocente,
queimou meu bom dia de inverno;
o único.

Tadeu Francisco
jul/11

Viva - sobre violência

Obra de Salvador Dali

Meu
coração
bate
no seu.

Tadeu Francisco
jul/11

Cale-se

Obra de Henri Matisse

E o orador falou e dançou.
Três palmas encerraram o discurso.
Uma do filho, uma da mãe
e um tapa.

Tadeu Francisco
jul/11

Prego

Obra de Carlos Nogueira
Por isso a carroça do pastor chegou mais cedo.
Quando fui lá ver, só madeira;
os gados tinham morrido.

Tadeu Francisco
jul/11

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Vaidade da periferia

Obra  "A vaidade"

Não passo tinta no cabelo,
venha ver minha formosura.
Traga o creme, o pó, o laço;
a pinga, a foice, o abraço.

Tadeu Francisco
jul/11

Cruzada

Obra de Norberto Geraldes
Sem ter espaço,
li sua carta.
Cruzei os dedos.
Descreveu-me...
um nada.

Tadeu Francisco
jul/11

Ribalta

René Magritte

Um gracejo fracassado,
uma fofoca na coxia;
emblema para o filho,
aplauso e poesia.

Tadeu Francisco
jul/11

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Poligamia

"Madonna" E. Munch
Livre,
sem relações;
pública.
Deu-me um cheiro e chateações;
era perfeita demais para ser de um só.

Tadeu Francisco
jul/11

Preciosa

Obra de Di Cavalcanti

Se for pra cair,
que seja aqui.
Se for pelas pedras,
esmeralda-me.

Tadeu Francisco
jul/11

Informe

“Tête de la Femme”, Pablo Picasso
Toda capa de livro;
todo banho matutino;
todo doce pequeno;
toda calma felina.
Ela.

Tadeu Francisco
jul/11

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sua descrição

Obra de Ladjane - original em cores

Ela parece ser exata;
sem curvas,
obsoleta.
Parece
um
ser.

Tadeu Francisco
jul/11

Etílico

Obra "Boêmio"

Com ela,
a boemia,
friagem
e ventania.

Tadeu Francisco
jul/11

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ares

Foi quando observei
que o tango é coisa de gente triste.
Entrega a beleza pelo prazer...
e morre sozinho.

Tadeu Francisco
jul/11

Ainda ouço

Mulata - obra de Alfredo Volpi

E Maria seguiu voando.
Precisou de pouca água,
gente
e muita ave.

Tadeu Francisco
jul/11

Quebra-cabeça

Bailarina
- Peça
para mim
a peça,
peça!
Tadeu Francisco
jul/11

O que é?

"Tam Dao"

Dissecante memória,
que cheiro é?
Sei que tem gosto e aparência;
que tem jeito,
mas nenhuma decência.

Tadeu Francisco
jul/11

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Cordeiro

Obra de Di Cavalcanti
Pegou-me com sua lábia.
Ciente,
aceitei em apego.
Quero seus lábios.

Tadeu Francisco
jul/11