quinta-feira, 30 de junho de 2011

E junho se foi

"O pintor" - V. Van Gogh
E junho se foi,
com ele
pirambou a menina do samba.
E junho se foi,
com ele
a menina arteira e seu mês igual.
E junho se foi,
com todas as suas marcas não curadas;
se foi.

Tadeu Francisco
jun/11

Amor de cinema


Do ser ao não ser;
da pressa ao esperar...
Estou perto,
e sem produções.
Levo-te a um vôo incrível 
na brisa de um grande parque,
ou, talvez,
de uma grande cama.

Tadeu Francisco
jun/11

*Ps: Imagem feita por minha amiga Gabriela Ferreira Duarte.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A mesa e um caso de amor

Obra de Pablo Picasso
Ficou de quatro por mim.
Antiga mesa esperando encanto.
Acariciei-a com os papéis e,
molhada em lágrimas,
excitou-se.

Tadeu Francisco
jun/11

Quando te fiz música

Obra de Miguelevy

Sete letras em seu nome;
sete teclas em seu som
Sete notas,
nem me nota.

Tadeu Francisco
jun/11
Ps: mais sobre o autor da obra aqui.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Tiras


No começo estive só;
no resto,
um par,
entre meios e fins.

Tadeu Francisco
jun/11

Sobre frio e poetas

O frio sufoca-me sem verso algum,
sem um lugar comum.
Já seu verso,
deixa-me em chamas,
como os Anjos do Augusto;
como a Pessoa do Fernando.

Tadeu Francisco
jun/11

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O som de dentro

"Bourbon Street" - obra de David Sento-Sé
Tocando grave
sob o sol nascente,
em fá poente,
com dó latente...
Si
fora
o mi.

Tadeu Francisco
jun/11

Sopro letal


Na forma de sopro,
feito vento que escorre
Ela correu
e me arrepiou...
passou.


Tadeu Francisco
jun/11

Fábrica de vidro

Obra de Gustavo Poblete
Veio da terra derretida,
prometida.
Feito vidro que corta,
que guarda,
que enfeita.
Pouca poeira ofuscou seu brilho,
amada Cristal!

Tadeu Francisco
jun/11

Quando falei

"Maternidade" - obra de Pablo Picasso

Quando nasci,
decidi gruir.
Não queria deixar soar
meu jeito estranho de falar.
Hoje gruo e gruo;
só sei assim.

Tadeu Francisco
jun/11

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Impaciência

Relógio - Salvador Dali

Tic
tac
toque
tique;
nervoso.

Tadeu Francisco
jun/11

Crônica IV

Memórias de uma crônica anunciada

Minha tarde fatídica começou crônica.
Ora pelas dores na  coluna, ora pelas faíscas.
Foi quando recordei que no dia que iria morrer alguma coisa apoderou-se do meu corpo.
Talvez um santo? Não sei bem.
Era o começo do que sempre esperei. Um orgasmo eterno; anunciando o que estava por vir.
Precisei respirar fundo para entender. O tamanho da piscina naquele momento era irrelevante, cabia só eu e mais um. Mas era funda e meus joelhos não contribuíam. 
Devia ter pensado mais quando me falaram dos benefícios das atividades físicas.
Mesmo assim, enfrentei. Era a batalha por ela, o que vinha antes do prazer, o excesso de sal na comida crua e saborosa.
Saltei com pouco zelo e consegui. Cheguei lá e logo foi a minha vez, a primeira.
Estranho o porteiro que autorizou minha entrada. Estava banhado de perfeição. Lamento muito por não ter conseguido caminhar até ele. As dores não passavam. Foram aumentando e queimando. 
Estava perto de tudo que sempre sonhei.
Não deu mais. Comecei a rir. 
Como pode tamanho azar? Como pode Deus permitir essa dor infinita que me impede de andar?
E nas indagações, acordei;
era cedo.

Tadeu Francisco
jun/11

terça-feira, 21 de junho de 2011

Indecifrável

"Figuras na praia" - obra de Pablo Picasso

Não é mais sobre mim,
não é mais sobre você.
É sobre o que, 
como 
e quando
sentimos.
As palavras
estão aqui;
decifre-as.

Tadeu Francisco
jun/11

Inverno - o começo

Van Gogh
E o inverno iniciou
acometendo todos os meus pecados,
frios.
Acometeu em suor,
bem menos que o esperado.
Gelou-me pelos meses que lhe cabia;
gelou-me pelos trechos que eu ousaria.

Tadeu Francisco
jun/11

Sobre traça e livro

Obra de E. Munch

Cupim ladrão,
devorou os livros
que perdi na ilusão.

Tadeu Francisco
jun/11

Vou pra casa

Casa Branca com Ipê Amarelo - 22x16 cm
Vou pra casa,
sem alarde
porque vou quieto,
porque sou lar.
Vou pra casa,
com ela aqui dentro,
como a carrego,
com lamentar.

Tadeu Francisco
jun/11

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Supernova

"Nebulosa Borboleta" - Obra de Ernesto von Rückert

Se por ruim sou visto em linhas,
por gênio sou,
do corpo desalinhado,
roupas novas.
Uma tímida noite.
- Explode, supernova!

Tadeu Francisco
jun/11

Quando só, um sofre

Obra "A Leitora Adormecida", de Felice Casorati
Senhora,
não há mais tempo.
Ele se vai,
sem tempo marcado,
ao longe caminha.
Cabeça raspada,
joelhos ao ninho.
Estamos,
senhora,
sem hora.

Tadeu Francisco
jun/11

Amor capital

Obra exposta no “Brasília Noite & Dia”
Cerrado,
meu coração
pareando
aos montes,
serrado.

Tadeu Francisco
jun/11

Samurai

Obra de David Santo-Sé

Vivi alguns espirros;
alguns delírios;
meros espios.
Reservei-me na morte...
foi quando seu desejo abandonou-me
em algum momento;
eterno.

Tadeu Francisco
jun/11

Chicote

Obra "Querida" - David Sento-sé
O laço que fere,
chicoteia,
amarra o abraço,
desnorteia.
Ferida pela
ferida;
querida.

Tadeu Francisco
jun/11

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Pés

Pés no chão - obra de David Sento-Sé
Pés grandes,
passos curtos.
Pés,
penso
longe.

Tadeu Francisco
jun/11

O semeador

"Semeador" - Van Gogh

Sem
cor.
Sem
meio.
Semeia,
a dor.

Tadeu Francisco
jun/11

Choro

Obra de David Sento-Sé - Clarinete
Clarividente,
o som
escureceu ainda mais a mão parda.
Acondicionou-se
fininho,
afinando-se na saliva,
rebaixando-se ao gueto.
Instrumento fino,
o do preto.

Tadeu Francisco
jun/11

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Lapa

"Arcos da Lapa"

Malandro safado
na lambreta de outrora,
arqueou-se sem medo
lapidado na lata,
na lapa da Aurora.

Tadeu Francisco
jun/11

Navalha

Obra do incrível Davi Sento-Sé

Encontrei-lhe
tomada
em cortes,
na ida.
Soube voltar
em cenas;
sem cortes.

Tadeu Francisco
jun/11

Luto

"Melancolia" - obra de E. Munch

O meu luto dura pouco;
esgota-se no tempo
que demoro para dizer
Luto.


Tadeu Francisco
jun/11

Febre

Obra de Kiki Lima

Ossos trementes,
filhas no ventre,
livre.
Ela amolecia.
Ele adoecia.

Tadeu Francisco
jun/11

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Cartório

Obra de Túlio Tavares

E seu pai chamava Marta,
sua mãe José,
sua madrinha João.
Era o santíssimo invertido,
virgem Maria, Clarice e Bastião!

Tadeu Francisco
jun/11

A marionete

Mexeu minha cabeça,
os meus pés,
minha fé.
Alinhou-me nele;
desandei.

Tadeu Francisco
jun/11

Idade e razão

Obra "O velho pobre"

Turva-me tempo,
que o velho,
guardo no sereno;
resfrio-lhe como um ancião;
fervo-lhe em febre;
trago-lhe como parceiro
nada santo,
nem tão sujo.

Tadeu Francisco
jun/11

Mochileiro

Obra "Homem solitário"

E toda essa correria
vai me levar além da dor,
entre médio maratonista
e um ás andador.

Tadeu Francisco
jun/11

Ser músico


Voto no escuro,
adorável promessa.
Me anulo,
em tons;
em seresta.

Tadeu Francisco
jun/11
*Ps: Obra de autoria desconhecida.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Quando se perde o controle

Obra de Marcia Marostega

Pela brincadeira
de ser quem é
- bem pouco do que se quis -
o embaraço e a cicatriz.
Pela brincadeira,
a coisa ficou séria;
correram os rios,
depois a miséria.

Tadeu Francisco
jun/11

Fora do tempo

Obra de Gustave Coubert
Agora que o tempo é outro,
extemporâneo e morto,
quer meu pedaço solto;
deporto.

Tadeu Francisco
jun/11

O gago trovador

"Músico  francês" - obra de Tenini

Gaguejei
ante o medo invisível.
Trovador em separação de sílabas;
foi assim que fui visto,
assim me apresentei.

Tadeu Francisco
jun/11

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Obra velha

"Outono" - obra de Arcimboldo

E pelas razões que
me envergonho expor
assino o final da obra
como um pseudo criador.

Tadeu Francisco
jun/11

Do que já fui

Já fui a bandinha da moda,
o gosto do rosto,
o tenro do terno;
o menos,
espero.
Já fui toca,
a roda quadrada,
o dente do cego,
o perto por perto.

Tadeu Francisco
jun/11

O antigo poeta

O poeta,
para conhecer a dor
antes do "ai"...
escreve,
e cresce.

Tadeu Francisco
jun/11

Quando se morre jovem

"O jovem pescador de Nice" - Obra de E. Munch

Um breve contador de histórias.
Breve porque foi cedo,
breve pelo desleixo.
Uma breve história.

Tadeu Francisco
jun/11

Marias

Obra "Lavadeira" de Silvino

Abaixo o que consome,
verdades profanas.
Vendo-te Maria
antes mesmo
de saber-te 
Ana.

Tadeu Francisco
jun/11

domingo, 12 de junho de 2011

12 de junho

Obra de Van Gogh

E tenho meus desejos não tão sóbrios,
mas conjunto pelo que me ensinou a ser...
mais homem, mais cor, mais amor.

Tadeu Francisco
jun/11

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Migalhas

Obra de Renoir

Renasci pão,
sem tipo,
sem forma,
desenformado.
Farelo
sem fama,
entretanto,
entre tantos,
apreciado.

Tadeu Francisco
jun/11

(E)namorados - quase uma receita

Edvard Munch, O dia seguinte, 1894-95

Amor dendê,
untando meus compassos;
os laços que lhe trouxe.
Forrando meus amassos;
apetitando-me
na cama, na mesa, no banho.
Desgrudando-nos,
livres.

Tadeu Francisco
jun/11

Perto

"O beijo" - obra de Munch

Em sonho,
pude vê-la, tocá-la, sê-la.
Desperto,
continuo perto.

Tadeu Francisco
jun/11

Sou tantos


Eram tantos reflexos perturbadores;
quatro, cinco, seis.
Eu e minhas faces,
e nada mais.

Tadeu Francisco
jun/11

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Despedida - levada pelas ondas

J.Singer Sargent-Paul Helleu Pintando com a sua Mulher

Em seu
mar
remoto,
sou seu
maremoto.

Tadeu Francisco
jun/11

Doce eterno

Na mão,
a rapadura dura.
Na boca,
mera doçura.

Tadeu Francisco
jun/11

Saber estar


E foi engraçado quando ela arrumou o cabelo.
Ativou-se brisa e cheiro.
Uma brisa forte que cegou-me.
Despedi-me com o vento,
numa imperceptível presença.

Tadeu Francisco
jun/11

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A vida de Mafalda

Acordou tarde
em leito fúnebre.
Respirando em paradoxo
encarou-se letal,
foi vital.
Seja pela roda de amigos,
seja pelo desfazer cantigas.
E assim conseguiu ser menos triste.

Tadeu Francisco
jun/11