quarta-feira, 27 de abril de 2011

A confissão


Eu e o compadre;
conversas frouxas
e papos pudicos;
de padres.

Tadeu Francisco
abr/11

*Ps: quadro do pintor Ismael Nery

Nelson Mandela - uma reflexão

Peço licença ao leitor para abrir um parêntese e colocar uma (auto)reflexão e, logo após, um trecho do livro que estou lendo atualmente "Conversas que tive comigo" do Nelson Mandela.

Em algumas dessas reflexões - e na agradável leitura - estou conhecendo um pouco das fragilidades que o próprio Nelson Mandela apresenta, o que o torna menos político e mais homem.

Na cela, em 01°/02/1975 (ficou preso de 1962 a 1990), escreveu uma carta para a sua esposa na época, Winnie Mandela (trecho extraído no início do citado livro):


"... a cela é um lugar ideal para aprendermos a nos conhecer, para se vasculhar realística e regularmente os processos da mente e dos sentimentos. Ao avaliarmos nosso progresso como indivíduos, tendemos a nos concentrar em fatores externos, como posição social, influência e popularidade, riqueza e nível de instrução. Certamente são dados importantes para se medir o sucesso nas questões materiais, e é perfeitamente compreensível que tantas pessoas se esforcem tanto para obter todos eles. Mas o fatores internos são ainda mais decisivos no julgamento de nosso desenvolvimento como seres humanos. Honestidade, sinceridade, simplicidade, humildade, generosidade pura, ausência de vaidade, disposição para ajudar os outros – qualidades facilmente alcançáveis por todo indivíduo – são os fundamentos da vida espiritual. O desenvolvimento de questões dessa natureza é inconcebível sem uma séria introspecção, sem o conhecimento de nós mesmos, de nossas fraquezas e nossos erros. Pelo menos – ainda que seja a única vantagem – a cela de uma prisão nos dá a oportunidade de examinarmos diariamente toda a nossa conduta, de superarmos o mal e desenvolvermos o que há de bom em nós. A meditação diária, de uns 15 minutos antes de nos levantarmos, é muito produtiva nesse aspecto. A princípio, pode ser difícil identificar os aspecto negativos em sua vida, mas a décima tentativa pode trazer valiosas recompensas. Não se esqueça de que os santos são pecadores que continuam tentando.”

Figuras como essas são importantes e fundamentais para o desenvolvimento social de um bairro, de uma cidade, de um país e do mundo. Não acho que valha a pena nos fecharmos aos sonhos pessoais e fazermos deles pequenas conquistas em busca somente de uma auto-satisfação. Se temos voz, podemos ir além, para um dia olhar para trás e ver que tudo que se viveu foi uma grande história, que valeu a pena e que serviu de tinta para outros livros reais.

Tadeu Francisco
abr/11

terça-feira, 26 de abril de 2011

Calado - outras dificuldades

obra "Casal", do artista Lasar Segall

Maratona de insônia
Acoberto-me vadio,
Quieto
Nem um pio.

Tadeu Francisco
abr/11

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Fôlego


Quero ar
pela casa,
por tudo,
pela missa,
pelas fontes.
Da restante ausência,
quero seu fôlego,
mudo,
aos montes.

Tadeu Francisco
abr/11

*Ps: Pintura a óleo ‘Nude, Green Leaves and Bust’, de Pablo Picasso, que foi arrematada no ano passado por 106 milhões de dólares, um recorde para a casa de leilões Christie’s.

Do que eu sei


Sem leitura, descoordenado.
Melindres dos céus
repaginados.
Outra canção,
outra história;
a morte do soneto
na memória,
memória.

Tadeu Francisco
abr/11


*Ps: quadro do pintor René François Ghislain Magritte

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sais - um diálogo


- Se lhe contasse um pouco de tudo,
ainda faltaria.
Se lhe mostrasse,
não enxergaria....
Dê-me sua mão
E sinta.

Tadeu Francisco
abr/11

terça-feira, 19 de abril de 2011

Luzes e quarto


Luzes e poros
apagando-me.
Menos cor,
mais branco.
Apaga-me,
pois aceso
sou seu escuro.

Tadeu Francisco
abr/11

*Ps: quadro "O leitor de domingo", óleo sobre tela.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Seu mar

Uma estranha sinceridade
banhou sua mentira.
Dias se foram até minha boca tocar suas águas salgadas.
Não pude beber-te.
Amarga,
convenceu-me nadar em você;
e mais nada.

Tadeu Francisco
abr/11

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O brinquedo do vizinho


E eu percebi que os que tinham mão azul
não me agradavam;
foi quando percebi minha mão azul.

Tadeu Francisco
abr/11
*Ps: Obra de Adriana Varejão.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Nota ao leitor

Caríssimos leitores,

dia 08 de abril este blog completou seis meses.
Quem me conhece sabe o quanto gosto de escrever aqui. O esforço que faço para manter o blog atualizado é mínimo perto do prazer que sinto em escrever diariamente.
Ganhei leitores, ganhei colegas e inúmeras pessoas que sentem deveras o que escrevo. Para mim, isso que vale a pena!
Estou aqui informalmente para agradecer a força que dão ao divulgarem meus escritos para amigos e familiares. Noto isso facilmente com o grande crescimento de leitores nos acessos diários. Continuem dando força; sempre vou precisar dela como escritor, como poeta e como pessoa!
Obrigado e espero que se sintam sempre aconchegados nas minhas letras e nos meus fragmentos.

Tadeu Francisco Rodrigues

O que vem depois


Sempre é um dia antes.
Bate porta,
bate boca,
bate louca.
Triste ver o que vem depois:
amanhã.
Abre porta,
abre a boca,
abre louca.

Tadeu Francisco
abr/11

*Ps: quadro "Só" de Toulouse-Lautrec Monfa.

Ser corrida

E quando acelero o tempo,
descubro que nos outros
o tempo é outro;
tem seu tempo.

Tadeu Francisco
abr/11

*Ps: quadro do pintor realista Max Ferguson, chamado "Time".

terça-feira, 12 de abril de 2011

Circo social


Saltimbanco serelepe,
aqueço-te nas minhas falas decoradas
com adornos,
de cor.
E antes que parta, proponho que me responda:
quanto de circo preciso ser
para que eu possa
tirar da sua boca um sorriso lúdico?
...
Maldito silêncio que acompanha minhas piadas banais
e me faz chorar em sorrisos descomunais.

Tadeu Francisco
abr/11

*Ps: quadro de Pablo Picasso "A família de Saltimbancos", 1905, óleo sobre tela, The National Gallery of Art, Washington, EUA.

Maior

Obra de Salvador Dalí

Quando sonhador me apresento,
descrevo a sensação distinta:
- Sou maior quando olho para o céu,
querida.
Quão difícil é crescer
E ser
Em panos frígidos
Menos doente.


Tadeu Francisco
abr/11


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sobre correntes


E por aí,
por morosidade em pregos,
prega-se;
paga-se.
E se sinto que acabou,
toma-me a força,
esbarrando nos punhos.
O meu elo se sobrepondo
como as correntes;
nada coerentes.

Tadeu Francisco
abr/11

*Ps: quadro de Pablo Picasso, "Duas mulheres correndo na praia", 1918.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Amanhã


Eu e o destino
sem reconciliações,
mas sem desafetos.
Eu e ele,
retos,
paralelos;
fetos.

Tadeu Francisco
abr/11

*Ps: quadro A Lua - óleo sobre tela de 1928 - Tarsila do Amaral

Os outros


Os outros,
assim sendo,
desconhecem de quem são:
apenas dos outros.

Tadeu Francisco
abr/11

*Ps: quadro Zé do PPD, de A. Melo Alvim.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Óbito literário


A letra que me recebeu
desfaleceu na ponta do lápis.
Se me tolhe as mãos
vivo pelas faces.

Tadeu Francisco
abr/11

terça-feira, 5 de abril de 2011

Contador de (não) ficção


Trate-me como um mero contador de histórias.
Baseie-me em seus fatos;
em seus fatos reais.
Baseio-te em mentiras;
em mentiras reais.
E - se conseguir - trate-me como um mero narrador;
aí sim, saberemos
como é exatamente a nossa dor.

Tadeu Francisco
abr/11

*Ps: quadro de Salvador Dali.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Velho fazendeiro

Pelo senhor, fiz muito por lenha e terra,
além do que você conseguiu enxergar
na noite enigmática
do servo e do ladrão.
Se não fosse pela casa da árvore,
a da sede estaria no chão.

Tadeu Francisco
abr/11

*Ps: quadro do pintor (e fazendeiro) norteamericano Robert Duncan.

A dialética do erro

Van Gogh

Somos um pedaço
do pecado do outro.

E como pecado,
somos o lado instigado,
por demasia esperado.

Numa luta incansável
entre o que você quer ser: o correto
Contra a adrenalina
que lhe move e te impede de seguir: o duvidoso.

Tadeu Francisco
abr/11

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Tiras e mente

Se amém foi sua última palavra;
me tira da mente
em tiradas,
em tiras.
Ponha-me nas solitárias mentiras;
mentiradas.

Tadeu Francisco
01°/04/2011