segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Balbúrdia


Atrevido!
Ludibriou os seus anseios
e todo o resto
lhe foi querido.

Tadeu Francisco
jan/11

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A querida ausência


É a pura e única percepção de que você existe.
Não me acho na sua distância;
entendo-a.

Tadeu Francisco
jan/11

Vencedor


Perdeu uma vez, por diversas vezes.
Tentando e revirando,
cabeça latente,
músculos lentos.
Ficou mais forte.

Tadeu Francisco
jan/11

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Coma, cama.

Basta ousadia e um bom sono.
O que entregamos depois é delírio.

Tadeu Francisco
jan/11






* Foto da "Metarmofose" de Franz Kafka.

Sociável

Misturei o luxo e a favela;
as finas lapelas e os analfabetos.
Anti-social,
só ganhei desafetos...
e um rótulo.

Tadeu Francisco
jan/11

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Traficante mirim - aviãozinho


Não decolou:
virou pó.
Entre a coca e a profissão,
empoeiraram-no.
- Fim da carreira,
avião!

Tadeu Francisco
jan/11

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Bons tempos


O banco surrado,
com o tempo,
aprendeu a perder o seu aroma.
Por outro lado,
suado,
aprendeu a ser história.

Tadeu Francisco
jan/11

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Existência

Sem mais,
com menos,
mas sendo.

Tadeu Francisco
jan/11

A batida do ritmo


Que som desengonçado
esse o da batida da minha excitação.
O corpo da morena
estava igual.
A minha imaginação,
tal qual.

Tadeu Francisco
jan/11

Observação

Pré conceituou a menina.
A julgar pela roupa,
pela escada,
pelo andar.
Vadio,
preferiu se calar.

Tadeu Francisco
jan/11

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O pintor e seu conflito


Retratei-me.
Estava errado.
Precisei me auto pintar.

Tadeu Francisco
jan/11

*Poema inspirado no pintor Renoir e seus possíveis conflitos.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O pássaro professor


O pássaro matinal foi meu professor.
Quando experimentei,
serrou minhas asas.
Eu não pude alçar vôo.
Resta-me aceitar
e aprender a piar.

Tadeu Francisco
jan/11

Troca


Eu troco todas as vezes que me pedem para deixar.
E trocam-me,
por não aceitar.

Tadeu Francisco
jan/11

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Black-tie


Que alvoroço!
E tudo porque fugi dos costumes
e não estava terno;
estava fraque.

Tadeu Francisco
jan/11

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Eu

Encolhi para entender meu mundo.
Quanto mundo encolhi.

Tadeu Francisco
jan/11

A fera e a bela


E fechando os olhos,
como se morresse,
ele a cheirava.
Estavam vivos!
Queria ela ao seu lado,
alcançando as presas;
solta.

Tadeu Francisco
jan/11

O regente e o povo


O regente foi afinar a multidão.
- Maestro,
aquiete-se enquanto eles te regem!
Afinaram-no.
Teria que começar de novo,
desta vez
com a voz do povo.

Tadeu Francisco
jan/11

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Desabamento serrano

Ávidos, querem contar tudo sobre as minhas perdas...
incontáveis.
Empunhando a pá que me deram,
sorri para os destroços,
para a foto.
Veio a chuva;
jogaram-me lama.
Soterrado permaneci...
um esplendoroso drama.

Tadeu Francisco
jan/11

Piedade

O que era para ser fraqueza,
deu exemplo de vigor.
Retorcido no pesar,
um pouquinho de leveza.

Tadeu Francisco
jan/11

Praia

Há mar que vem para o bem.

Tadeu Francisco
jan/11

Entre o céu e o inferno


A morte do moço narrava o fim.
O corpo agora analisava toda a história:
glória ou escória?

Tadeu Francisco
jan/11

Crescer

Diminuí em fumaça.
Ora no leite,
ora no café;
quente.
Os que não me viram,
com clareza sentiram;
suaram.
Agigantei-me.

Tadeu Francisco
jan/11

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O medo e a correnteza


Temi piscar os olhos quando a atenção me dominou.
Um segundo bastou para o sonho desaguar.
Cochilei no pecado.
Reconheci os valores
e sou menos vaidades,
menos horrores.

Tadeu Francisco
jan/11

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Todo


E você estava aqui o tempo todo,
sem ser todo...
apenas tempo.

Tadeu Francisco
jan/11

Sombras


Pedi licença
E com uma sombra,
cheia de certeza duvidosa,
cedeu-me outra sombra
de dúvida certa.

Tadeu Francisco
jan/11

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Traga-me


Vou só,
voo só,
só vou.
Venha só
e traga-me,
como um cigarro,
como pó.

Tadeu Francisco
jan/11

Marginal

O provérbio sem norma,
desobediente,
formou um gueto;
em um jeito culto de não ser soneto.

Tadeu Francisco
jan/11

Senti

Senti,
em meio aos toques ritmados dos suaves dedos.
Quanta permissão deixei de me dar.
Hoje estou só assim:
sem ti.

Tadeu Francisco
Jan/11