terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sobre ser poeta - José Saramago

José Saramago é uma figura mítica; inerência que atribuo à sua personalidade forte e singular. Era ateu, comunista, sensível. Predicados que desmentem as pessoas que associam o comunismo e o ateísmo à insensibilidade. Saramago, português, nasceu em 1922 na cidade de Azinhaga, Golegã (vila portuguesa pertencente ao pequeno distrito de Santarém) e recentemente comemoramos seu aniversário, dia 16 de Novembro. Ele faleceu no dia 18 de Junho de 2010, aos 87 anos, nas Ilhas Canárias, Espanha.

Saramago nos brindou com inúmeras obras, 16 romances no total, que nos levam aos mais loucos desafios surreais, seja pelo dia que nunca mais se morreu, com o célebre "Intermitências da Morte", seja pelo dia  em que todas as pessoas ficaram cegas, com o "Ensaio sobre a Cegueira". Uma obra em especial - que muito admiro - é o livro "Todos os nomes". O escritor descreve muito bem os cenários e a cabeça do Sr. José, pobre funcionário de um Cartório de Registro Civil. Fica minha indicação para quem quiser ler.


Ao falar de Saramago não podemos esquecer que o escritor ganhou o festejado prêmio Nobel de Literatura, em 1998, e o prêmio Camões, importante prêmio literário português. Por essas, podemos dizer que ele é um dos mais importantes escritores da língua portuguesa. E por falar nisso, um fator que muito me fez admirá-lo, foi o fato de ele ter criado um jeito próprio de escrever, não utilizando algumas pontuações, parágrafos e outras regras gramaticais. Era a excelência da escrita clandestina, pela essência dos dizeres. Não se atinha às normas gramaticais e o leitor não se perde por isso, pelo contrário, cria-se um ritmo de leitura de muito mais fácil compreensão.

Uma parcela minoritária de críticos não aplaudem essa iniciativa de Saramago, mesma parcela que critica o demasiado uso de diálogos longos em um único parágrafo. Contudo é essa característica, para mim, que faz Saramago ser quem ele é; é o que o personifica.

Dentre as suas obras podemos citar “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, “Ensaio sobre a Cegueira”, “Intermitências da morte”, “Caim”, "A jangada de pedra", etc.

O cineasta brasileiro Fernando Meirelles, em 2008, trouxe o romance "Ensaio sobre a cegueira" para as telonas, filme elogiado pelo próprio Saramago. Particularmente gostei muito do filme, com todas as ressalvas necessárias às adaptações literárias.

O vídeo a seguir havia sido postado em meu twitter quando do aniversário de Saramago, dia 16 de novembro, então alguns leitores já devem ter assistido. De qualquer forma, é um belo registro histórico produzido pela TV Cultura no programa Entrelinhas. O programa traz algumas opiniões e depoimentos, bem como uma entrevista com o próprio escritor.


Tadeu Francisco
nov/11

8 comentários:

  1. Excelente postagem, amor!
    Escritor admirável!

    Beijos!!!

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  2. Genial mesmo, amor.
    Impressionante ver como as pessoas gostam dele..

    beijos

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  3. Oi, Tadeu! Bela postagem! Gosto d"O Evangelho Segundo Jesus Cristo". Preciso assistir ao "Ensaio sobre a Cegueira". Acho engraçado a TV Cultura legendar o português de Portugal e, ainda por cima, trocar, por exemplo, "a pensar" por "pensando". :) Abraço!

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  4. Saramago encanta com esse jeito próprio de escrita.Sou um pouco suspeita pra comentar algo sobre ele, pois é um dos meus escritores favoritos.
    Uma das minhas obras preferidas é "A Viagem do Elefante", de onde se orginou o documentário Jose & Pilar, que por sinal é emocionante. Sem contar na minunciusidade com que ele descreve os fatos no Evangelho de Jesus Cristo!
    É difícil falar de Saramago e não lembrar nos seus clássicos infantis, como " A Maior Flor do Mundo " que me encanta até hoje...
    E como o mesmo já dizia:

    -"E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?
    Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar."

    Parabéns pela publicação!

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  5. Bela observação, Carla. Gostei muito também do "Evangelho Segundo Jesus Cristo". Quanto ao filme, acho que vale a pena sim, até porque o próprio Saramago o elogiou.

    beijos!!

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  6. Que bom que gostou, Clara! Saramago é, sem dúvida, muito especial na literatura portuguesa. Confesso que não li os infantis dele, mas não duvido de sua maestria.

    Obrigado pelo carinho.

    beijos!

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  7. Olá,
    Boa escolha... Sempre bom retornar ao pensamento de Saramago, como dizia fernando Meireles:"um escritor de espírito de um espírito super aguçado". Obrigado por nos brindar com o pensamento deste que foi um grande escritor, pois seu pensamento continua tetrificado em nossas memorias... Como fala e falaram os grandes "monstros" de nossa literatura:"Os poetas nunca morrem". Grande abraço e continua nos brindando com esses memoravéis homens e mulheres que nos deixa e nos deixaram um bom legado. Fr. Fellipe, OSA.

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  8. Obrigado pelas sempre doces palavras, Fellipe. Esse sim, tenho certeza que nunca morrerá. Abraços!

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