segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sobre ser poeta - Arthur Conan Doyle


Arthur Conan Doyle foi o responsável pela minha paixão ao estilo literário policial. Ele se eternizou na alma de seu mais famoso personagem, Sherlock Holmes. Lendo as aventuras investigativas de Sherlock, facilmente percebi a eficiência do seu criador ao compô-lo. Arthur conseguiu trabalhar em cima de teses  dedutivas e detalhes que enriqueceram o personagem a ponto de toda uma geração sonhar em ser alguém tão genial e expert quanto Sherlock. A fama lhe rendeu o título da nobreza inglesa "sir".

Médico, escocês, Arthur foi um escritor abrangente e não teve somente o personagem Sherlock inscrito em seu currículo. Suas obras envolvem histórias de  ficção científica, novelas históricas, peças e romances, poesias e obras de não-ficção. Dentre essas destacamos "O Mundo Perdido", "Quando o mundo gritou," "Spiritualism and Rationalism", "A terra da neblina", "Our African Winter" etc.

Comecei a ler Sherlock ainda na infância e o fato de o detetive ser extremamente detalhista e bom nas suas deduções, me enchia de vontade e esperança de um  dia conseguir olhar uma pessoa e em poucos segundos descrever a sua vida.
Watson, companheiro de Sherlock, é outro personagem interessante, profundo e às vezes cômico. Um "casamento" que se estendeu por diversos anos (Sherlock foi criado em 1887 e teve sua última história - na obra "Últimos casos de Sherlock" - escrita em 1917). Dentre as histórias de Sherlock, destaco  "Signo dos quatro", "Um estudo em vermelho", e as três obras recheadas de contos: as aventuras, as memórias e a volta de Sherlock Holmes.

Também é interessante notar a influência de Edgar Alan Poe nas obras de Arthur. Poe, gênio da história bem traçada e densa, sem dúvida alguma influenciou Arthur na elaboração do Sherlock. Quem quiser conferir, aconselho a leitura conjunta entre um e outro. Acho boa a ligação que dá para notar entre eles.

Dentre os materiais que guardo para publicar no blog, uma entrevista datada por volta de 1927 (três anos antes de sua morte) me chamou muita atenção, pois, ao que tudo indica, foi a única aparição  de Arthur em vídeo. Na entrevista, Arthur Conan Doyle narra um pouco o processo de criação de Holmes e fala sobre espiritualidade. Infelizmente não consegui encontrar a entrevista legendada. A qualidade da gravação não é boa, dada à antiguidade da mesma, mas serve como um registro histórico que quero compartilhar com vocês. O amigo Juliano Vieira Zappia está em processo de legenda do vídeo e, assim que estiver pronto, atualizo o post com elas. Logo abaixo, segue uma prévia do trecho já transcrito.

Não quero estender muito a apresentação sobre a escrita de Arthur, pois o próprio fala a respeito, o que dispensa qualquer comentário:

 
"Preciso falar uma ou duas palavras apenas para testar minha voz, entendo. Há duas coisas que as pessoas sempre querem me perguntar. Uma delas é como eu comecei a escrever as histórias de Sherlock Holmes. E a outra é sobre como comecei a ter experiências psíquicas e a ter tanto interesse nessa questão. Bem, primeiramente, sobre as histórias de Sherlock Holmes, isso aconteceu da seguinte forma: (XXX), um jovem médico na época... Eu tive treinamento científico e lia ocasionalmente histórias de detetives, mas todas me aborreciam porque eram antiquadas. Os detetives sempre chegavam a seus resultados por mero acaso ou sorte; ou ainda inexplicavelmente. Como ele chegou lá? Ele chegou lá, mas nunca deu nenhuma explicação sobre como conseguiu. E eu não via isso como se fosse um jogo. Para mim, ele deveria ter a obrigação de demonstrar por quais razões chegou às suas conclusões. Eu comecei a pensar sobre isso, e sobre aplicar o método científico no trabalho de investigação. E eu tinha, quando era estudante, um velho professor, seu nome era Bell, com um poder de dedução extraordinário. Ele olhava para o paciente, dificilmente deixava o paciente abrir a boca, e fazia o diagnóstico da doença do paciente e, muitas vezes, também da nacionalidade, ocupação e outros pontos inteiramente pelo seu poder de observação. Naturalmente pensei comigo mesmo, se um cientista como Bell entrasse para o ramo de detetives ele não faria essas coisas por acaso, ele as construiria cientificamente. Então, tendo concebido essa linha de pensamento, vocês podem imaginar que eu tinha uma nova ideia de detetive, uma em que me interessava trabalhar. Eu pensei em algumas centenas de escapatórias, pode-se dizer algumas centenas de táticas pelas quais ele poderia construir suas conclusões, e comecei a escrever histórias nessa linha. No começo achei que elas atraíram pouca, bem pouca atenção, mas com o tempo, quando comecei os contos (aventuras curtas) um após o outro, saindo mês após mês na Revista Strand, as pessoas começaram a perceber que elas eram diferentes das velhas histórias de detetive, que havia algo ali que era novo. Elas começaram a comprar a revista, e... o seu "crossboard" (famoso quebra-cabeça da época, 1926). Então posso dizer que ambos andamos juntos e, a partir de então, Sherlock Holmes realmente "criou raízes". Eu escrevi mais sobre ele do que pretendia, mas minhas mãos estavam sendo forçadas pelos amigos que continuamente queriam saber mais. E assim foi esse crescimento monstruoso que simplesmente veio de uma semente tão pequena. O curioso é que muitas pessoas ao redor do mundo provavelmente estão convencidas de que ele é realmente um ser humano vivo. Recebo cartas endereçadas a ele, cartas pedindo seu autógrafo. Recebo cartas para seu amigo estúpido, Watson. Até mesmo de damas dizendo que gostariam de ser sua governanta. Uma outra, que ouviu que ele estava ocupado criando abelhas, escreveu que era uma expert no trabalho de segregar a rainha, seja lá o que isso signifique, e assim seria predestinada a ser a governanta de Sherlock Holmes. Não sei se há algo mais a dizer sobre ele.

(Segunda Parte)

Legenda: Juliano Vieira Zappia"

Tadeu Francisco 
out/11

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