quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sobre ser poeta - Ernest Hemingway

Quando eu estava na 6ª série minha professora me proibiu de ler um livro chamado "Memórias de um Cafajeste", de Carlos Imperial, que tinha acabado de pegar na biblioteca. Talvez o título tenha chamado a sua atenção. Ela tirou o livro das minhas mãos, o levou à diretoria e veio com a sentença: " Você é muito novo para ler essas coisas".

Fiquei chateado. E para compensar tamanha birra decidi cometer um crime. Em um intervalo entrei sorrateiramente na biblioteca e, escondido, peguei o livro. Caso encerrado! E sem maiores lesões à minha liberdade de ler. O livro é bom. Como eu era novo, adorei ler páginas e páginas de aventuras da  jovem guarda com drogas, mulheres e bebidas. Mas hoje acho que a adrenalina de lê-lo escondido foi o que o tornou mais interessante e bom.

Após o episódio rabisquei alguns contos a respeito do que acabara de ler. Foi quando um professor leu as minhas histórias e falou que eu precisava ser um pouco mais detalhista. "Detalhista, o quanto?" - perguntei. Esticando um livro do Ernest Hemingway (1899 - 1961), chamado "Paris é uma Festa", ele respondeu: - "Detalhista sem ser chato, como ele" - falou apontando o livro. E foi assim que "conheci" Ernest.


Ernest hemingway e Fidel Castro

Peguei o livro e comecei a ler com muita empolgação. E, diferente da maioria, comecei por este livro: "Paris é uma Festa", e não pelo best-seller "O velho e o mar", que li na sequência. "O velho e o mar" foi escrito em Cuba no início dos anos cinquenta e é incrível. A aventura ali narrada foi uma das coisas mais profundas que li na minha vida.

Detalhista sem ser chato. Isso traduz Hemingway, que, além disso, é profundo naquilo que cerca os personagens. O dom do escritor de te levar, por exemplo, às ruas de Paris e ao quarto do personagem simultaneamente, é fascinante. "Por quem os sinos dobram", "Aventuras de um homem jovem", são algumas das inúmeras obras desse belo escritor.



Fica aqui registrado o início da minha história com o senhor Hemingway, que espero levar comigo por muitos e muitos anos.

Tadeu Francisco
set/11

2 comentários:

  1. Cheguei em casa e observei sobre a bancada entre a sala e a cozinha o livro "O Velho e o Mar". Ela não se dedica a leitura e então eu perguntei: -Mô, que isso?
    -Ganhei da velha! - disse minha companheira. Velha é como ela trata sua patroa que, está à porta dos 80 anos).
    Eu logo percebi que mais esse livro seria meu.
    E foi assim que li meu primeiro livro do autor, o que me inspirou a buscar informações sobre sua biografia.

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  2. Parabéns pela sua sede de leitura e conhecimento.

    Isso mostra que você só tem a crescer na sua vida como pessoa, leitor e homem.

    Abraços

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