quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Sobre ser poeta - Charles Chaplin

Quero falar aqui sobre Charles Chaplin sem utilizar frases prontas ou quaisquer clichês.

Primeiramente, quero deixar claro que não sou crítico de cinema, nunca estudei cinema e sou apenas um bom amante de filmes que me emocionam e mexem com minha imaginação.

Com essa série quero ter a liberdade de levar ao leitor artistas dos mais diversos gêneros, sem ter que obedecer uma ordem lógica.

Chaplin foi um artista visionário e, sem dúvida, à frente do seu tempo. Quando comecei a me interessar por cinema, logo tive contato com seus filmes, mais precisamente com o filme "Em busca do ouro". A sagacidade de Chaplin como ator, escritor, diretor, me fez começar a entender a sua grandeza. Logo assisti "O garoto", "Luzes de Ribalta", "Tempos Modernos" e minha grande paixão cinematográfica, "O grande ditador". Fiquei encantado com o modo que Chaplin fez críticas contundentes aos valores sociais e políticos.

 "O grande ditador", primeiro filme falado de Chaplin, o projetou como um ambicioso diretor e um destemido cidadão, pois estreiou a película na própria Alemanha nazista na década de 40, mais precisamente na cidade de Berlim. Enquanto tínhamos os ideais dos EUA fazendo pouco caso às barbaridades nazistas, Chaplin, de forma solitária, denunciava. Uma das cenas marcantes que podemos extrair do filme, é a que o ditador brinca com o globo terrestre, jogando-o pra cima em meio a uma suave dança. Cena memorável. Bem, além do humor aguçado, nesse filme podemos perceber que ao incorporar "Hitler", o "judeu" encerra o roteiro com um discurso extremamente apaixonado e emblemático, para não dizer ácido. Esse discurso, da maneira como foi colocado por Chaplin no filme, gerou insatisfação por parte dos críticos, que declararam a desnecessidade de encerrar o ato explicando-o. Particularmente (como disse, não sou crítico de cinema), acho muito bem colocado e emocionante. O discurso segue em vídeo logo abaixo e deixo para o leitor, caso não tenha visto, o julgar.
Uma outra curiosidade recente foi a polêmica que envolveu um filme de Chaplin da década de 20, onde, supostamente, aparece uma moça falando em um aparelho celular. Alguns juram que ele, como visionário, colocou um aparelho de comunicação propositalmente na cena, outros, garantem que não passou de um figurante ouvindo um rádio portátil. E uma terceira corrente, mais complexa, acredita que a moça seria uma viajante do tempo.

Após ter contato com alguns curtas de sua autoria (Vida de cachorro, Ombros, armas!, Idílio Campestre, Pastor de almas), assisti o documentário "O vagabundo e o ditador", que traz ao público uma série de coincidências entre Hitler e Chaplin, citando datas e acontecimentos particulares, como, por exemplo, o nascimento de cada um, que se deu na mesma semana, do mesmo mês, do mesmo ano de 1889.

Em suma, Chaplin é um artista muito interessante e que merece uma atenção especial. Geralmente a figura do Carlitos é resumida por cenas batidas de trechos de filmes, onde Chaplin é colocado tão somente como um canastrão atrapalhado, quando, na verdade, além de ser um canastrão, é uma das pessoas mais sensíveis à arte que conheci.


Tadeu Francisco
set/11

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