sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sobre ser poeta - Nietzsche

Fazer o "Sobre ser poeta" com um filósofo da expressão de Nietzsche foi uma opção relutante. Explico. Queria deixar esse espaço mais leve, com poetas mais harmoniosos. Mas decidi colocar um filósofo que li muito e que nutro uma particular admiração, em que pese concordar muito pouco com as suas "teses".

Quando comecei a ler os artigos de Adorno e Shopenhauer, logo fui apresentado à filosofia de Nietzsche.

Comecei lendo "Assim falou Zaratustra" (que demorei séculos para ler, tentar entender e me adaptar), depois li "Além do bem e do mal", "Ecce Homo", "Anticristo" e, finalmente, "Humano, demasiado humano".

Não preciso nem falar que foi uma leitura que me prendeu fortemente. Nietzsche, pra mim, tem uma força e uma capacidade de pensamento crítico rara, mas, paradoxalmente, frágil.

Senti uma série de contradições em suas obras e aprendi a não colocá-lo em nenhum pedestal (como muitas pessoas), principalmente por alguns resquícios nazistas que rondam a última obra aqui citada.

Sei que não falo de um filósofo neutro, mas a sua influência nazista é sempre lembrada nos ciclos de estudos filosóficos, tendo sido, inclusive - alertam alguns estudiosos -, citado em diversos discursos do próprio Hitler.

Por um bom tempo pouco se falou nele, mas após algumas releituras de filósofos contemporâneos, voltou a se falar e, mais que isso, passou a ser visto como uma figura romântica.

Em geral pessoas citam Nietzsche sem conhecimento e usam suas frases isoladamente, isso me incomoda um pouco, pois é um filósofo muito complexo que merece ser inserido em um contexto. Talvez essas citações demasiadas são em razão do estilo literário do filósofo: o aforismo, que favorece a frase de efeito.

Nietzsche é um filósofo interessante e que vale muito conhecer. A sua grande obra, "Assim falou Zaratustra" retrata seus três momentos. Começando com a  influência em Wagner, passando por Shopenhauer, até, por fim, ganhar uma autonomia de pensar, fato bem explícito em "Humano, demasiado humano", sua obra divisora de águas.

O vídeo mostra um trecho do "Café filosófico" da TV cultura, no qual ele foi assunto, ligando os seus pensamentos aos polêmicos temas de fé, religião, espiritualidade.

Tadeu Francisco
ago/11

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