quarta-feira, 22 de junho de 2011

Crônica IV

Memórias de uma crônica anunciada

Minha tarde fatídica começou crônica.
Ora pelas dores na  coluna, ora pelas faíscas.
Foi quando recordei que no dia que iria morrer alguma coisa apoderou-se do meu corpo.
Talvez um santo? Não sei bem.
Era o começo do que sempre esperei. Um orgasmo eterno; anunciando o que estava por vir.
Precisei respirar fundo para entender. O tamanho da piscina naquele momento era irrelevante, cabia só eu e mais um. Mas era funda e meus joelhos não contribuíam. 
Devia ter pensado mais quando me falaram dos benefícios das atividades físicas.
Mesmo assim, enfrentei. Era a batalha por ela, o que vinha antes do prazer, o excesso de sal na comida crua e saborosa.
Saltei com pouco zelo e consegui. Cheguei lá e logo foi a minha vez, a primeira.
Estranho o porteiro que autorizou minha entrada. Estava banhado de perfeição. Lamento muito por não ter conseguido caminhar até ele. As dores não passavam. Foram aumentando e queimando. 
Estava perto de tudo que sempre sonhei.
Não deu mais. Comecei a rir. 
Como pode tamanho azar? Como pode Deus permitir essa dor infinita que me impede de andar?
E nas indagações, acordei;
era cedo.

Tadeu Francisco
jun/11

2 comentários:

  1. Certa vez li um livro que se chama "Da ilusão à verdade" esta crônica me fez lembrar de indicá-lo à você! A autora é Glória Polo. Vale a pena!
    Beijos

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  2. Realmente muito bom esse livro/testemunho da Glória Polo. Ganhei ele de presente no ano passado e o achei muito profundo.
    Beijos, Gê

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