sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Natura - a sua moda

Pintura de Rob Hefferan

Lidei
com o seu universo
Quando
me acabou
O verso.

Tadeu Francisco
dez/11

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Seguir

Obra de José Loureiro

Se der tempo
de não me deixar
Traga a passagem.

Tadeu Francisco
dez/11

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Roupa Velha

Obra de Dégas

Minha roupa rasgada
refletiu-me rasa.
Qual cor devo comprar:
O azul que já gostei
ou o preto que suportei?

Tadeu Francisco
dez/11

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Nosso espaço

Obra de Picasso

Foi-se embora
a pouca folha
E o quintal mais verde
que plantei para ti.

Ausente,
À seca,
nosso inverno foi mais curto.

Em caules e bases,
Em concretos e esquinas,
Nada muito certo,
sequer perto.

Tadeu Francisco
dez/11

domingo, 25 de dezembro de 2011

A rua do mendigo cantante

Pintura de Andréa Maia

Quando longe você chorou,
Perto, solucei.
Minha palavra
Escorrendo pela rua,
soluçante,
no canto pobre 
do mendigo cantante.

Tadeu Francisco
dez/11

(Pré) existente

Rembrandt

Há tempo agora,
E só.

Tadeu Francisco
dez/11

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal maior - uma questão



É aquele menino meio manco,
Meio estranho,
Meio santo,
Meio homem.
Quem é aquele menino meio você?

Tadeu Francisco
24 de dezembro de 2011

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Quando não quis

Pintura de Gustave Corbet

Deixe-me com a pureza
Da certeza
De não ter à sua mesa
uma chance;
uma clareza.

Tadeu Francisco
dez/11

Meio inteiro

Pintura de Djanira

Combalido início do meio,
saiba se colocar na terça parte;
essa que
Num minuto
se transforma em um pouco de quarta.

Tadeu Francisco
dez/11

Ardente divagação

Pintura de Sun Jin Kim

Prefiro 
Divagar...

Tadeu Francisco
dez/11

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um baile

Pintura realista do Iman Maleki

Dançou feito um peão,
girando em valsa.
Trouxe o achego à realidade;
uma pitada de pimenta
e um pouco de verdade.

Tadeu Francisco
dez/11

Interno

Pintura de Chirico Lodeve

O corpo doente
De doses.
Algozes calabouços internos;
calmantes eternos.

Tadeu Francisco
dez/11

Festa íntima

Pintura de Tânia Leal "Serenata"

Brindo
O que
Me é
Sereno.

Tadeu Francisco
dez/11

Sonífero



Em quantos pontos estão meus sonhos?
Se forem par,
Foram-se.

Tadeu Francisco
dez/11

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Cárcere

Pintura de Maurício Takiguthi


Preso com as mesmas botas velhas de ontem.
Não pude mais comprar aquele relógio bonito.
Meu dinheiro acabou.
Restam-me as grades,
E delas meu afã heróico e imaginário.
Cela,
que te quero livre.

Tadeu Francisco
dez/11

Ente

Pintura de Duffy Sheridan. Auto-retrato.

Nega-se.
Afirma-se.
Um ente.
Dialeticamente
Ser.

Tadeu Francisco
dez/11

Contento

Pintura de Iman Maleki

E se eu não pudesse contar todas as histórias,
seria o menino sentado na praça
Coçando a solidão
Caçando algum olhar
Medindo o ganha pão.

Tadeu Francisco
dez/11

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Noite amanhecida

Obra de Honoré Dumier

Quase manhã;
quase dormi.

Fico
Com a beleza
Das dores.

No meu dia que dói;
no meu dia que chega.

Tadeu Francisco
dez/11

Aquele cheiro

Pintura de Brad Kunkle

Flagrante
fragrância.

Tadeu Francisco
dez/11

Do que é necessário

Pintura de Maurício Takiguthi

Se fosse meu desejo
Bastaria a pouca voz.

Tadeu Francisco
dez/11

Entre a escrita e a lágrima

Pintura realista do incrível Brad Kunkle


Soluço em versos.
Minha rima
E meu declame...
um poema pra você.

Tadeu Francisco
dez/11

Alinhada escassez

Pintura realista "Dia de Sol" de Edward Hopper

E o que me torna escasso? 
Dois dedos de prosa.
Cinco doses de cordel.

Tadeu Francisco
dez/11

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Porca política

Obra de Di Cavalcanti

Quebra 
(de)
de coro. 
- Esses desafinados.

Tadeu Francisco
dez/11

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Homem, simples homem

Obra do fotógrafo turco Mehmet Ozgur

O aroma
Ao concreto;
A fumaça
Às chamas.
Há fogo?

Tadeu Francisco
dez/11

O sono lento

Pintura de Madre Isabel Guerra

Por ora, 
Sonolenta,
Acordei.
Já chegou, noite? 
Ainda é cedo..

Tadeu Francisco
dez/11

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Gota em verso

Júlio Pomar

Pingando-me as letras
o verso ficou farto.
Sentidos e metas apurados;
braços e pernas cortados.
Hoje escrevo com meu sangue...
é o que me resta.

Tadeu francisco
dez/11

Escolha

Pintura de Iman Maleki

Meras mechas castanhas,
tom acinzentado de solidão.
Não podia mais ir sem mim.
Desde aquele tempo
nada foi em vão.

Tadeu Francisco
dez/11

Meu conto

Pintura de Iman Maleki

A dona Maria não é dona de nada.
O seu José não é seu.

Tadeu Francisco
dez/11

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Fim da estrada

Autoria desconhecida

Antes tarde,
hoje nunca.

Tadeu Francisco
dez/11

Quando te fiz dormir

Pintura realista de Alissa Monks

Se preciso for
Dou-lhe um pouco de noite...
nem que seja a minha.

Tadeu Francisco
dez/11

Ardor

Pintura ultra realista de Victor Rodriguez

Sou
Deveras
o que faço nas horas vagas.

Sou 
as horas
vagas.

Tadeu Francisco
dez/11

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um piscar

Pintura realista de Carlos França

É o estalo do seu piscar que me corrói;
amarra-me por dentro,
deixa-me incerto;
quieto.

Tadeu Francisco
dez/11

domingo, 4 de dezembro de 2011

O que deixei pra você

Obra de Marcel Pajot

Tenho
Em ti
Guardado
Todos os meus estragos.

Tadeu Francisco
dez/11

Leve pesadelo

Pintura do polêmico Yang Shaobin

Entre tantas noites
A em claro escurece-me.

Tadeu Francisco
dez/11

Logo cedo

Obra "Lendo o jornal", por José Malhoa

Desde o começo,
o fim.

Tadeu Francisco
dez/11

Terrestre sem chão

Obra "Oferenda a Pachamama"

Por obséquio
Devolva minha terra.
É uma cheia de poeira,
que quando juntas
Formam minha solidão.

Tadeu Francisco
dez/11

Singelo Sócrates

"Futebol" - C. Portinari


E naquele embalo oco,
A morte,
No vácuo,
desafiou a lógica e a ciência
Emitiu berros e glórias.

Tadeu Francisco
dez/11

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Quando chorei

Pintura realista de Alissa Monks

Percorrida em meu rosto
avizinhou-se em meus sentidos.
Escorreu-me uma lágrima...
e era você 
sendo vagarosamente
esculpida no nosso lençol.

Tadeu Francisco
dez/11

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Sobre o verão

Pintura realista de Lee Price

Tarde,
antes muda,
sussurra-me.
Solitário sol
Sou.

Tadeu Francisco
nov/11

Aviso

Pessoal, o domínio do blog foi registrado e agora ele poderá ser acessado via:

www.fragmentosdeumavirgula.com.br

Tal endereço é de mais fácil divulgação e me protege quanto ao nome do blog.

O outro endereço continua valendo normalmente.

grato,

Tadeu Francisco

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Melodia e ar

Obra de Iberê Camargo

- Vento,
Tu notas as minhas notas?
E você,
Terra?

Tadeu Francisco
nov/11

Sobre ser poeta - José Saramago

José Saramago é uma figura mítica; inerência que atribuo à sua personalidade forte e singular. Era ateu, comunista, sensível. Predicados que desmentem as pessoas que associam o comunismo e o ateísmo à insensibilidade. Saramago, português, nasceu em 1922 na cidade de Azinhaga, Golegã (vila portuguesa pertencente ao pequeno distrito de Santarém) e recentemente comemoramos seu aniversário, dia 16 de Novembro. Ele faleceu no dia 18 de Junho de 2010, aos 87 anos, nas Ilhas Canárias, Espanha.

Saramago nos brindou com inúmeras obras, 16 romances no total, que nos levam aos mais loucos desafios surreais, seja pelo dia que nunca mais se morreu, com o célebre "Intermitências da Morte", seja pelo dia  em que todas as pessoas ficaram cegas, com o "Ensaio sobre a Cegueira". Uma obra em especial - que muito admiro - é o livro "Todos os nomes". O escritor descreve muito bem os cenários e a cabeça do Sr. José, pobre funcionário de um Cartório de Registro Civil. Fica minha indicação para quem quiser ler.


Ao falar de Saramago não podemos esquecer que o escritor ganhou o festejado prêmio Nobel de Literatura, em 1998, e o prêmio Camões, importante prêmio literário português. Por essas, podemos dizer que ele é um dos mais importantes escritores da língua portuguesa. E por falar nisso, um fator que muito me fez admirá-lo, foi o fato de ele ter criado um jeito próprio de escrever, não utilizando algumas pontuações, parágrafos e outras regras gramaticais. Era a excelência da escrita clandestina, pela essência dos dizeres. Não se atinha às normas gramaticais e o leitor não se perde por isso, pelo contrário, cria-se um ritmo de leitura de muito mais fácil compreensão.

Uma parcela minoritária de críticos não aplaudem essa iniciativa de Saramago, mesma parcela que critica o demasiado uso de diálogos longos em um único parágrafo. Contudo é essa característica, para mim, que faz Saramago ser quem ele é; é o que o personifica.

Dentre as suas obras podemos citar “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, “Ensaio sobre a Cegueira”, “Intermitências da morte”, “Caim”, "A jangada de pedra", etc.

O cineasta brasileiro Fernando Meirelles, em 2008, trouxe o romance "Ensaio sobre a cegueira" para as telonas, filme elogiado pelo próprio Saramago. Particularmente gostei muito do filme, com todas as ressalvas necessárias às adaptações literárias.

O vídeo a seguir havia sido postado em meu twitter quando do aniversário de Saramago, dia 16 de novembro, então alguns leitores já devem ter assistido. De qualquer forma, é um belo registro histórico produzido pela TV Cultura no programa Entrelinhas. O programa traz algumas opiniões e depoimentos, bem como uma entrevista com o próprio escritor.


Tadeu Francisco
nov/11

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Aviso

Pessoal, o Sobre Ser Poeta da semana já está pronto e traz ao blog um escritor muito requisitado por vocês quando das sugestões para a série.

Mas, infelizmente, o vídeo não está sendo carregado (penso que isso se deve ao fato de a minha internet hoje estar muito lenta). Como não quero fazer as coisas pela metade, espero que amanhã minha internet colabore e eu consiga postar normalmente.

Obrigado pela compreensão de sempre,

Tadeu Francisco

Não parar

Obra do não muito aplaudido Chardin (1728).

Enquanto houver tempo,
tento.

Tadeu Francisco
nov/11

Quando não dormi - insônia

Pintura de Denis Petersen

Noite sem madrugada; 
meio incerta,
meio dia.

Tadeu Francisco
nov/11