segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Crônica III

O Cinema Iraniano

Lavou a sua única camisa.
Uma bela camisa azul.
Somente com ela poderia ir ao cinema, local sagrado.
Convencionou assim para despistar a sua falta de dinheiro.
No caminho de pedra, de carona em uma bicicleta amiga e velha, um arame bastou para abrir um rasgo na sua manga.
Estava há 20 minutos do filme.
Em respeito ao sacro local, tinha que arrumar aquele furo.
Entrou no primeiro balcão:
- Preciso de uma agulha!
De agulha e linha na mão, costurou o pano. Serviço porco.
Correu junto aos minutos regressos.
Nada adiantou.
A moça disse não, o tempo também.
Perdeu o filme, consertou a manga.
Sorriu, pois o local ainda estava lá e de lá não sairia.
Entendeu que as escolhas fazem o norte.
Sabe agora não se atar em panos.

Tadeu Francisco
Outubro/2010

2 comentários:

  1. Vish!!!Muito legal a crônica!!=DD
    Nunca te falei mas acho muito fera as coisas que você escreve!!!^^..Orgulho!>>!=))
    abrass!!Cum Deus!!
    Pepe

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