sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Breve conto de amor

-É assim?
-Não sei. Falaram-me que sim.
Estranho esta coisa de não existir rosto nas idéias. Vital, mas estranho.
Tudo que se propaga tende a deixar rastros, a criar uma estrada.
Ele não almejou tanto, também pudera, cada sonho destruído foi como um tapa.
Tudo bem que ele ainda não morreu. É caro um funeral digno.
Mas ele esteve lá.
Daquela antiga história nada sobrou; tudo mudou: a cidade era mais jovem, apesar do tempo ter passado.
Só que para ele o tempo ficou parado. O mesmo pirralho. A mesma inocência.
Se não tivesse ela não teria amor no conto, e sem amor não há sucesso, não há público.
Ele aprendeu a ludibriar. A vida o ludibriou.
Cada qual com seu qual.
Cada risco na sua linha.
Assim, se viu incapaz.
Viu uma luta vã.
Não adianta querer mudar as peças quando o desenho da caixa já está estampado.
Saltou pra longe e conheceu a vida como um homem.
Deixou o pirralho pra depois; pra depois dos noventa.

Tadeu Francisco
Nov/07

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