sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ano novo


Lembrei do tempo perdido 
e da conversa em família.
Não mais aqui,
deixou-me passado...
no pretérito,
imperfeito.

Tadeu Francisco
dez/10

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

sábado, 25 de dezembro de 2010

Noite de natal


Era velhinho e não muito bom.
Chegou tarde para a janta,
o que não impediu a sua tentativa de sorrir.
Comprou a palha da manjedoura e fotografou os animais.
Nada de muito interessante aos olhos famintos de seus filhos;
que queriam mais e mais.

Tadeu Franciso
dez/10

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sedento

Soluçou o futuro que alimentou.
Precisou se olhar.
Não era gordo como queria ser,
era raquítico;
na história,
em vida.

Tadeu Francisco
dez/10

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O mestre

Fora da academia,
precisei da rua para saber mais sobre minha pequenez.
Ah, como ela é grande!
Sem mais letras,
sei o quanto eu era menor
quando desejei ser mestre.

Tadeu Francisco
dez/10

Paradoxo

E se amanhece aqui dentro,
a escuridão se apodera lá fora.
Em um paradoxo perfeito,
sou noite no dia;
lua deixando estáticos os girassóis.

Tadeu Francisco
dez/10

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sem natal


Queria um futuro de brinde,
sem barbas, sem cores, sem ilusões,
mais luz, menos sinos.
E o presente?
Só o agora.

Tadeu Francisco
dez/10

Muro das lamentações


Em concreto
Nada abstrato.
Um muro exato e mórbido 
do que seria 
Eu 
menos
Ela.
Dividimos o espaço:
ela sem o meu; o meu sem o dela
E fomos embora vazios.

Tadeu Francisco
dez/10

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O anjo exterminador

Matou pelo banquete dos coitados.
Sonhando,
alimentou a fome de todos,
exterminando-os.

Tadeu Francisco
dez/10

Ps: Imagem extraída do filme "O Anjo exterminador" de Buñel.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

(A) temporal

Em outros tempos fui água.
Tão certo pela brisa que causo quando o temporal me chama fora do tempo...
e me engana.

Tadeu Francisco
dez/10

Tocando você

Melodia soando
deixando-me viril.
Soei,
e a agitada nota me escapuliu.

Tadeu Francisco
dez/10

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A intenção do contista

Era bonito de se ler,
uma incompreensão serena do que aquilo queria dizer.
Saboreou as formas,
sem teto,
completo,
um reles analfabeto.

Tadeu Francisco
dez/10

Paz e filhos



Entre os "ais",
os pais.

Tadeu Francisco
dez/10

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sou chão


Tudo bem que fizeram estes caminhos estranhos.
Busquei um descanso.
Quando relaxei, transpassava por mim.
Não entendi,
transformei-me no caminho.
Sou chão;
o seu.

Tadeu Francisco
Dez/10

A casa caiu

Publico aqui um texto (na íntegra e como me foi passado) de autoria do Joscélio de Souza Cunha Faria, recuperando da APAC* de Pouso Alegre/MG.


"A casa caiu", é um termo muito usado quando alguma coisa sai errada, como por exemplo, no momento de uma prisão.

Uma velha casa corrompida pela falta de informação, omissão e indiferença, de uma sociedade moralista e egoísta, principalmente pela falta de fé em seu alicerce, veio abaixo.

É meu irmão! A casa caiu, e agora? O que fazer?

Lamentar não adianta, mas um exame de consciência vai ajudar a encontrar o erro, pois se esta casa caiu, alguma coisa estava errada.
Visto isso, é hora de remoceçar, pedir ajuda, deixar de lado a prepotência e arrogância. Encontrar as pessoas certas para ajudar é fundamental neste recomeço, pois na hora certa, com

Amor
Paciencia
Atitude
Coragem, conseguiremos enxergar nos desacertos da vida a esperança perdida, como uma flor que nasce nos galhos secos de uma árvore qualquer. Lembrese de uma frase dita pelo homem que faz toda obra: "Tende bom ânimo. Coragem, eu venci no mundo".

Siga em frente e, no futuro, quando olharmos para trás, nas ruínas de uma velha casa, veremos que por dentre os tijolos que ficaram espalhados pelo chão, formou-se um belo jardim e que dele ainda brota vida.

Nem tudo foi perdido. Agora tudo faz sentido. Foi necessário que tudo viesse abaixo para haver transformação.

Hoje, apesar de ser um eterno aprendiz, compreendo mais do que posso explicar e sinto que devo agradecer a Deus pela queda das velhas paredes, pois abriu espaço para uma nova construção, um novo ser.

Sei que tudo virá a seu tempo e por tudo que Deus tem concedido, digo sinceramente: ainda bem que a casa caiu.

Joscélio de Souza Cunha Faria

*Para quem não conhece, o método APAC, criado pelo Mário Ottoboni, é um centro de ressocialização de condenados pela justiça, que tem como lema "ninguém é irrecuperável". É uma forma alternativa de execução de penas, que estamos tentando trazer à cidade de Poços de Caldas/MG, com o apoio do TJ/MG, Juiz das Execuções Criminais da Comarca, MP e OAB 25ª sub.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Arvoredo


Foi quando senti a farpa arranhando o meu rosto,
que remei para entender o corte.
Sobrou-me ignorância em meio a navegação.
Nadei rente,
sem mais,
na negação.

Tadeu Francisco
dez/10

Além

Todos viram.
Levaram consigo o choro,
conciso.
Ninguém me reconheceu.
Era outra,
não eu.

Tadeu Francisco
Dez/10

Bem-vindo

Quando abriu o galpão
não existia mais teatro,
a porta dava para a rua.
A vida real o manteve enganador
com mais rotina;
mais dor.

Tadeu Francisco
dez/10

Separação

Em sangue jorrado,
destoante,
separo-me;
sem mais pedidos,
desmedido.

Tadeu Francisco
Dez/10

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Vida plena

Já não são vozes,
são tempos dementes.
E nada somos além de tempos,
além de loucos,
além de poucos.

Tadeu Francisco
Dez/10

Reencontro

Bem sabe o que eu sinto;
sendo seu, minha, nosso, moços.
Sem as provas de fogo,
nos ardemos nos olhos,
nos foras;
dentro.

Tadeu Francisco
Dez/10

Amando-se

De longe,
havia uma vaga dentro dela.
Ampla, encurtava-se aos mais ousados.
Era seu espaço;
de mais ninguém.

Tadeu Francisco
Dez/10

Vazio perfeito

Sem a vontade suficiente,
me resumo ao pó.
Inspiro e espirro.
Nada mais dentro de mim,
enfim.

Tadeu Francisco
Dez/10

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Insistir


Caiu cortada e sem efeito.
Despedaçada,
voltou irreconhecível;
mas inteira,
acesa.

Tadeu Francisco
Dez/10

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A saudade de uma história



Sentada ao meu lado,
numa conversa sem aperto,
ruidosamente evadiu-se em memórias.
Sobrou este banco vazio;
em saudade e presença,
no jeito uno de sermos dois.

Tadeu Francisco
dez/10

Implosão

Perdi o casco que me fez ser tudo.
Era minha casa.
Hoje,
desnudo.

Tadeu Francisco
Dez/10

Loteria da vida


Amada e chorada.
Armada e clamada.
Entre as vielas,
as mãos sem vida
despediram e benzeram.
Na sorte concebida,
a criança foi jogada.
Muito errava,
pouco acertava,
mas jogava.

Tadeu Francisco
Dez/2010


*Poema baseado no trabalho da ONG Britânica "Salve as crianças" na campanha "loteria da vida", que demonstra que a criança não escolhe o local que nasce, muito menos se irá nascer no amor ou no ódio; na pobreza ou na riqueza. Para conhecer clique aqui.

O perdedor

E foi de tanto tentar,
que esqueceu de ganhar.

Tadeu Francisco
Dez/2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Senha

Imaginou absurdos para memorizar o código.
Fez um desenho no teclado.
Setas, retas, curvas.
Quando precisou,
nada estava decorado;
lembrou somente das fantasias.
Menos criativo,
e de surpresa,
sentiu-se protegido pelo esquecimento.

Tadeu Francisco
Dez/10

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sobre tédio e dois mundos


Aquele era o mundo deles.
O velho casaco sobretudo,
carrancudo,
da roça,
olhava torto para a parca estilosa do rico fazendeiro.
Tediosamente se enconstaram.
Que vento!
O caos virou uma conversa;
e a conversa foi sobre tudo;
que foi sobre o mundo:
fartura e carência;
tudo.

Tadeu Francisco
Dez/10

Em tese

Opiniões impostas com vigor.
Uma pergunta e tudo desaba.
Não posso cair,
afinal,
é só uma tese.

Tadeu Francisco
Dez/2010

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A personalidade dupla



O grito foi forte
Anulou-me.
Descerrei a porta com força.
Era um espelho;
parte de mim:
eu.

Tadeu Francisco
Dez/10

*Imagem/montagem extraída do filme "Clube da Luta".

Insônia



Tenho um único desejo:
noite tranquila, 
Tranquilo.

Tadeu Francisco
Jun/10

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Folhear

Encontrei à deriva a capa que me sugeria você,
inanimada e estática.
Abri.
Folheei por dentro;
te encontrei;
nos movemos.

Tadeu Francisco
Nov/2010

Esmiuçando a chuva

Com os braços despertos
molhava-se em cansaço.
Não mais coberto,
numa espécie de efeito tardio do ópio,
transcrito em sensibilidade,
abria seu peito ao mundo.
Momento errado.
Nenhum transeunte passava.
Chovia forte.

Tadeu Francisco
Nov/2010

Atiradores da elite


Não me via mais em arte ou subúrbio.
Era só para ser um papo sobre maconha, Rio de Janeiro e futebol.
Restou ao Estado da elite atrapalhar a nossa conversa fiada.
Incrível como os atiradores parecem conseguir de tudo,
menos tirar as dores.
Sonorizei-me com dois tipos gemidos:
o de prazer,
gerado pelo orgasmo coletivo dos apresentadores televisivos.
O de dor,
que dói.

Tadeu Francisco
Nov/2010


* A charge acima é do genial Carlos Latuff, que foi disponibilizada em seu twitter. Mais do seu trabalho pode ser encontrado aqui.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O livro e a moça

Quando a encontrou estava nua.
Logo se tornou imbatível
e menos crua.
Foi despida pelas letras
e vestida por elas.
Uma troca e duas razões.

Tadeu Francisco
Nov/2010

Inacabado

Por eu não ser pronto,
perco-me nas ideias prontas;
e ponto.

Tadeu Francisco
Nov/2010

O leito da morte

Foi a primeira vez que a viu, não a única.
A pele cheirava flores;
gadanha afiada.
Nunca a senhora morte lhe foi tão íntima,
necessária.
Agarrou-a com força.
Mas a dona não quis saber;
lhe escapou pelos dedos,
viva. Viva!

Tadeu Francisco
Nov/2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A resposta

Estava no dia da resposta chegar.
Ouviu o assovio distante e dissonante do carteiro.
Viu as cartas,
eram tantas.
Não se conteve:
tropeçou, ofegou, machucou.
Pagou caro,
eram contas.

Tadeu Francisco
Nov/10

Entendendo chocolates

E lá na minha infância, perdido em meados de algum ano de data irrelevante, sonhava em comer chocolate todos os dias quando me tornasse adulto.

Agora percebo que, chocolates, só traduziam o que eu não sabia chamar de felicidade.

Tadeu Francisco
Maio/10




*Imagem extraída do filme "A fantástica fábrica de chocolate" do Tim Burton, que inspirou, também, o poema "Consumismo fantástico".

Consumismo fantástico


Era livre para escolher a cor.
Anos de luta para que pudesse ter.
Por que não escolhia não ter?

Tadeu Francisco
nov/2010

Litígio em família

Não queria a ação.
Queria bagunça, desassossego, tirar o sono.
Do céu ao inferno em um protocolo;
penhorou seu irmão;
perdeu a razão.

Tadeu Francisco
Nov/2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Chão batido

Quando o suor desceu pelo seu peito
conseguiu demonstrar seu esforço.
Elas precisavam ver o desespero escorrer,
mesmo em seca.
A imagem só era vendida se fosse suja,
se tivesse terra.
Não deixou a poeira para trás,
o pó ficou para frente, rente.

Tadeu Francisco
Nov/2010

Prazo

Posso pedir?
Estou em tempo?
- Tempo, tempo!

Tadeu Francisco
Nov/2010

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A bengala


É majestosa.
Gosta de ser de madeira e não entende a de alumínio.
Como brilha?
Machuca com orgulho seus pés de apoio em respeito ao chefe.
Lamenta-se por perder a melhor parte,
afinal, nunca vai ao interior da festa.
Fica estática no dorso da porta de entrada;
olhando a parede e esperando a saída.

Tadeu Francisco
Nov/2010

Menor infrator


Como companhia só o crak matinal.
Iniciou cedo e acabou nos catorze.
Um pequeno órfão com a mãe viva,
em pancadas maiores,
morreu invisível,
sem tempo,
menor.

Tadeu Francisco
Nov/2010

Os circuitos curtos

Fadado, nasceu eletrônico.
Longos circuitos e cimentos,
nada concreto.
Soube alterar a natureza
deixando-a morta,
sem choque,
chocada.

Tadeu Francisco
Nov/2010

*Apresento neste post a parceria com o designer e amigo Rodrigo Silva, autor da arte-imagem acima.

A deusa no divã


Respondo inocente,
ledo engano.
É análise.
Tola, entrego a senha da invasão.
Descobre-me toda.
Estou na sua mão.

Tadeu Francisco
Nov/2010.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Olê, mulher rendeira

Fito a mulher rendeira,
desprovida de renda,
rendendo-se...
Arme-se com os panos,
entoados retalhos,
finos pedaços,
precisos encantos.

Tadeu Francisco
Nov/2010