sexta-feira, 28 de março de 2014

Para nunca mais

Van Gogh


Enxerguei-te nas placas dos carros e nas crianças passando.


Estava ali, parada em movimento urbano, presa e solta na selva que inventamos.


Sinceramente não sei quanto tempo durou a sua estadia, sei que o suficiente para o todo sempre se recontar.


Então, em duas versões seguimos. Você desbotada pelo velho cheiro guardado, mas bom; e eu entre cores apáticas de uma manhã cinza-solidão.


Cinza-solidão é a cor que criei, porque acho que toda cor deve vir acompanhada de uma descrição.


Há o vermelho-amor e o vermelho-sangue. Há o azul-céu e o verde-esperança.


Entre todas as cores, você me borra.


Seguimos, abrimos o caderno e nos vimos deitados em letras cursivas, inconclusivas, que nos descreveram em nossos sonhos colegiais.


As cores com nome são para nunca mais.

Tadeu Francisco 
mar/14

terça-feira, 25 de março de 2014

(B)ecos

Edward Hopper




A noite amplifica os passos;
e os espaços.

Tadeu Francisco
mar/14

No canto do bar

Edward Hopper




Segurando sua taça de paz, 
seus olhos-estradas.

Tadeu Francisco
mar/14

Nasce e morre - a história

Bandeira de Mello




Certa vez.
Errada vez. 
Vez.

Tadeu Francisco
mar/14

(Dia)tônico

Iman Maleki





A arte lembrada nos sons
É a rendição da lágrima do músico.

Tadeu Francisco
mar/14

Moldura

Pintura de Iman Maleki



Entre o reflexo da presença, 
a dose imperfeita da ausência.

Tadeu Francisco
mar/14

Ilusão de ótica

Edward Hopper




Quem sabe 
Um dia 
a gente se lê?

Tadeu Francisco 
mar/14